Em setembro de 2019, o Egito celebrou o retorno de uma de suas relíquias mais valiosas: o sarcófago de Nedjemankh. A peça, que data do período ptolemaico (entre 150 e 50 a.C.) e pertenceu a um alto sacerdote, não retornou por vias diplomáticas tradicionais, mas sim após uma série de eventos inusitados que envolvem a celebridade americana Kim Kardashian.
Até 2011, o objeto, uma peça de ouro com 1,8 metro de altura, permaneceu enterrado na região de Minya. Naquele ano, em meio à revolução que abalou a terra dos faraós durante a Primavera Árabe, o local foi saqueado e o valioso artefato foi removido.
O tesouro foi transportado clandestinamente através dos Emirados Árabes Unidos e da Alemanha até chegar a Paris, onde foi vendido por US$ 4 milhões a um comerciante de arte.
O paradeiro da relíquia só foi descoberto após a Met Gala de 2018, em Nova York. Na ocasião, Kim Kardashian posou para fotos usando um vestido dourado e, ao seu lado, apareceu o sarcófago, que servia como cenário para a influenciadora. A imagem viralizou e acionou investigadores internacionais, que identificaram a peça como o tesouro perdido.
As investigações subsequentes revelaram que o Museu Metropolitano de Arte, de Nova York, havia adquirido o sarcófago em 2017, baseando-se em documentação falsa. O caso também expôs o esquema de uma organização criminosa responsável pelo roubo de centenas de outros objetos. Após o desfecho judicial, o sarcófago foi repatriado e hoje está exposto no Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo.