
Atriz indígena processa James Cameron por 'roubar' seu rosto para fazer 'Avatar'

A atriz Q'orianka Kilcher está processando o cineasta James Cameron por "roubar sua identidade" para criar uma personagem do filme "Avatar".

A atriz, de 36 anos, também processou a Disney, que detém os direitos da franquia dos filmes da saga, informou o New York Times na terça-feira (5).
"Na era da IA, nossa imagem já não está a salvo", declarou ele em uma entrevista. "Embora o que aconteceu comigo seja algo pessoal, também é um sério alerta de que, se não agirmos agora, esse tipo de coisa se tornará a norma. Este caso trata do futuro da identidade", acrescentou.
Na ação, ela alega que o cineasta utilizou, sem autorização, uma fotografia de sua adolescência para criar digitalmente Neytiri, uma das personagens principais de "Avatar".
De acordo com o processo, o diretor admitiu em 2010 que a artista e ativista pelos direitos indígenas foi sua "inspiração inicial" para o rosto da guerreira, integrando suas traços na arte conceitual do filme.
Apesar de Kilcher, na época, "não ter interpretado isso como se seu rosto real tivesse sido reproduzido", a ação alega que "os lábios, o queixo, a mandíbula e o formato geral da boca de Neytiri na trilogia são idênticos", pelo que "não se tratou de uma inspiração passageira nem de uma homenagem vaga", mas de "um transplante literal da estrutura facial de uma adolescente real".
Exploração de identidade
O litígio foi aberto após a atriz e ativista descobrir uma entrevista concedida por James Cameron a um veículo francês em 2024, na qual o diretor relaciona diretamente a aparência da personagem Neytiri ao rosto da artista.
"Pela primeira vez em um fórum público, Cameron admitiu explicitamente toda a verdade sobre o projeto de Neytiri", segundo a denúncia apresentada a um Tribunal Distrital de Los Angeles.
O documento também acusa o cineasta de ter usado "a identidade biométrica e o patrimônio cultural de uma jovem indígena" para desenvolver uma franquia bilionária sem reconhecimento ou compensação financeira.
Kilcher quer uma indenização baseada nos lucros obtidos com o uso não autorizado de sua imagem, incluindo a arrecadação de "Avatar". De acordo com o advogado Arnold P. Peter, o valor solicitado é "proporcional à exploração sofrida".

