As exportações de metais da China, especialmente de alumínio, estão recebendo um impulso significativo devido ao conflito no Oriente Médio, que reduziu os suprimentos regionais e, ao mesmo tempo, elevou a demanda por produtos de tecnologia limpa conforme os preços dos combustíveis fósseis sobem, informou a Bloomberg nesta quarta-feira (6).
De acordo com a agência, a principal associação industrial chinesa prevê que os envios de produtos de alumínio do maior centro manufatureiro do mundo atinjam um recorde este ano. Ao mesmo tempo, o cobre, peça principal para baterias e outros produtos de transição energética, também pode ser beneficiado pela mudança.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no final de fevereiro, abalou os mercados de matérias-primas e levou ao fechamento do estreito de Ormuz. Além disso, ataques contra fundições de alumínio no Golfo Pérsico afetaram a produção de uma região que responde por cerca de 9% do suprimento mundial, o que, por sua vez, favorece os produtores chineses.
Tecnologias limpas se tornam mais atraentes
No setor de energia, indica-se que o conflito elevou fortemente os preços do petróleo e do gás natural, tornando as tecnologias limpas mais atraentes. Nesse cenário, a fabricante chinesa de baterias Gotion High-Tech comunicou que observa um renovado foco global na transição verde.
Em paralelo, estima-se que as exportações de cabo trançado de alumínio — usado em redes elétricas e isento de uma ampla redução de incentivos fiscais à exportação — possam dobrar em relação ao ano passado, atingindo entre 40 mil e 50 mil toneladas no conjunto de abril e maio.
Além disso, as exportações de fios e cabos de cobre subiram 36% em comparação ao mesmo período do ano passado em março; os envios de células solares aumentaram 80% e os de baterias de íon-lítio subiram 34%, embora a Bloomberg alerte que a eliminação de reembolsos fiscais pode desacelerar o crescimento. As alfândegas chinesas informaram ainda um incremento de 53% nas exportações de veículos elétricos em março.