Donald Trump poderia ordenar a retomada de ações militares contra o Irã ainda esta semana, caso persista o impasse nas negociações, segundo informou terça-feira (5) o portal Axios, citando autoridades dos EUA e de Israel.
De acordo com a reportagem, um funcionário do governo dos EUA comunicou em privado no domingo ao Irã que uma operação americana para "guiar" embarcações pelo Estreito de Ormuz estava próxima, advertindo Teerã a não interferir. A mensagem sugere que a Casa Branca buscou reduzir o risco de escalada.
O aviso coincidiu com o anúncio de Trump sobre a iniciativa "Projeto Liberdade", destinada a liberar navios retidos no Estreito de Ormuz em meio à crise no Oriente Médio. O plano entrou em vigor segunda-feira (4). O presidente afirmou que vários países que evitaram se envolver no conflito solicitaram ajuda de Washington para liberar suas embarcações.
Em paralelo, as Forças Armadas do Irã advertiram navios comerciais e petroleiros a evitarem transitar pelo estreito sem coordenação prévia, afirmando que buscam "preservar a segurança" da via estratégica.
Também declararam que "qualquer força armada estrangeira, em especial o Exército agressor americano, será atacada" caso entre na região, acusando Washington de colocar em risco a segurança do comércio marítimo internacional.
Advertências cruzadas
Em meio às advertências cruzadas, o Irã realizou "disparos de advertência" contra navios da Marinha dos EUA que transitavam pelo estreito.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a situação no estreito de Ormuz é "insustentável para os Estados Unidos" e declarou que Teerã "nem sequer começou ainda".
Segundo ele, "a nova equação do Estreito de Ormuz está em consolidação", com acusações de que os EUA e aliados violaram um cessar-fogo e impuseram um bloqueio.
Enquanto isso, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, disse que as forças americanas estão preparadas para retomar operações militares em larga escala contra o Irã, se ordenado. O próprio Trump afirmou que Teerã deve chegar a um acordo com Washington ou poderá enfrentar novas ações militares.
Por sua vez, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que, "enquanto as negociações avançam graças ao esforço generoso do Paquistão, os Estados Unidos devem ter cuidado para não serem arrastados novamente para um atoleiro por aqueles que desejam o mal", acrescentando que o mesmo vale para os Emirados Árabes Unidos.
- No "Projeto Liberdade" participam destróieres de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves, plataformas não tripuladas multidomínio, além de 15 mil militares.
- Diante disso, Teerã advertiu que qualquer "ingerência" de Washington no novo regime de navegação do Estreito de Ormuz será considerada "uma violação do cessar-fogo".