Epilepsia, drogas, desastre: Militares ucranianos relatam desordem em mobilização forçada

Oficiais denunciam a integração de homens com doenças crônicas e dependências químicas, que compromete a eficácia das unidades e a segurança nas frentes de combate.

A mobilização de tropas na Ucrânia enfrenta uma crise sem precedentes, com militares denunciando o envio de recrutas sem condições de saúde para o combate, de acordo com relatos de oficiais consultados pelo veículo ucraniano Hromadske na segunda-feira (4).

Segundo o veículo, cerca de 70% dos homens incorporados recentemente às Forças Armadas apresentariam limitações médicas, incluindo doenças crônicas e dependência de substâncias, comprometendo a eficácia das unidades no campo de batalha.

Relatos do front

O cenário de instabilidade foi detalhado por comandantes que atuam na linha de frente. Roman Kovaliov, comandante de um batalhão de fuzileiros, descreveu a situação como um "desastre".

Segundo ele, em cada grupo de dez novos recrutas, três apresentam aptidão limitada, dois possuem histórico de dependência de drogas e outros dois abandonam o posto sem autorização. Kovaliov relatou casos de soldados que, mesmo sem terem passado por treinamento em campo, foram hospitalizados repetidamente por problemas pulmonares.

Um integrante de uma brigada, que preferiu manter o anonimato, relatou cenas nos pontos de recepção, onde homens com crises de epilepsia ou sob efeito de drogas foram integrados às unidades. "Se entraram no sistema dos Centros Territoriais de Recrutamento da Ucrânia, então já estão no Exército e é impossível mandá-los para casa", afirmou.

Dmitry Kostiurov, comandante de um batalhão de drones, relatou que recebeu pessoal com diagnósticos incompatíveis com a função, como esquizofrenia e hipertensão severa.

"São catástrofes ambulantes. A qualidade é nula e a motivação é inexistente", lamentou o oficial. 

Alina Mikhailova, médica de batalhão, observou que a situação está se agravando em meio a uma "profunda crise de mobilização" e falha na comunicação.

Mobilização forçada

mobilização forçada se tornou uma prática comum no país, enquanto as Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grande escassez de tropas, agravada por um problema sistêmico de deserção.

Na internet, surgem regularmente imagens de comissários militares recrutando homens à força em locais públicos, meios de transporte, hospitais ou até mesmo os removendo de seus próprios carros enquanto dirigem. Confrontos são comuns entre agentes de recrutamento e civis de passagem, muitos deles mulheres, demonstrando um esforço de resistência à mobilização.