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Suíça reabre acesso a arquivo sobre o criminoso nazista Josef Mengele

Serviço de inteligência autoriza consulta parcial ao dossiê sobre viagem de Mengele da América do Sul ao país, após rever negativa anterior.
Suíça reabre acesso a arquivo sobre o criminoso nazista Josef MengeleHulton Archive / Gettyimages.ru

O Serviço Federal de Inteligência da Suíça (SFI) anunciou nesta segunda-feira (4) que permitirá o acesso ao dossiê do conhecido criminoso de guerra nazista Josef Mengele, mas com uma "abordagem flexível", segundo a mídia local.

As autoridades vinham rejeitando pedidos de acesso a esses documentos desde sua transferência para o Arquivo Federal Suíço, e essa situação poderia durar décadas.

Um recurso contra essa recusa segue pendente no Tribunal Administrativo Federal do país, e as autoridades decidiram antecipar o desfecho ao reconsiderar a última negativa (ocorrida em fevereiro) e permitir que o pesquisador tenha acesso ao material.

No entanto, serão mantidas limitações e o acesso não será integral. As condições e os procedimentos ainda serão definidos, levando em conta que o arquivo contém dados que exigem proteção, critérios que também serão aplicados a futuras solicitações.

No início deste ano, o SFI havia rejeitado o pedido do historiador Gérard Wettstein para consultar o dossiê do criminoso nazista relacionado à sua estadia na Suíça, alegando proteção de dados pessoais e vínculos com parceiros estrangeiros.

Pelas normas vigentes, os documentos só poderiam ser acessados a partir de 2071, já que os últimos registros foram incluídos no arquivo em 1991.

O pesquisador recorreu ao financiamento coletivo para contestar a decisão no Tribunal Administrativo Federal do país alpino.

Apelidado de "Anjo da Morte" por ex-prisioneiros dos campos de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, o médico e capitão da SS, Josef Mengele, participou da seleção de recém-chegados, muitos dos quais eram enviados às câmaras de gás conforme sua decisão.

Ele também realizou experimentos pseudocientíficos com diversos prisioneiros, incluindo crianças, tratadas como cobaias e frequentemente mortas ou transferidas após os testes.

Embora tenha sido procurado pelo Mossad (serviço de inteligência exterior de Israel) e pela Interpol após a Segunda Guerra Mundial, Mengele conseguiu se refugiar primeiro na Argentina e depois no Brasil, onde morreu de causas naturais em 1979, aos 67 anos.