A Marinha do Brasil (MB) intensifica seus esforços para modernizar tecnologias de minagem e contramedidas de minagem, de acordo com comunicado da instituição, publicado no sábado (2).
No contexto das tensões no Golfo Pérsico, particularmente no Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio global de petróleo —, o tema das minas navais ganhou relevância nas discussões sobre defesa.
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Este tipo de armamento é considerado de baixo custo e alto impacto no planejamento e dissuasão em cenários de crise.
No Brasil, a Marinha mantém capacidade de operar artefatos de minagem em todo o país, com navios aptos a empregar o armamento para proteger áreas estratégicas do litoral, como portos, refinarias e bases militares.
Estratégia de defesa
Segundo o Comandante da Força de Minagem e Varredura, Rodrigo Bouças, "as minas navais não precisam afundar navios para ter sucesso. Elas funcionam criando incerteza, restringindo o movimento e impondo custos elevados a forças navais muito superiores".
Além da minagem defensiva, a Marinha investe em contramedidas para neutralizar ameaças.
O Comando da Força de Minagem e Varredura, sediado em Salvador, opera três navios-varredores da Classe Aratu e o navio caça-minas "Amorim do Valle", recentemente incorporado.
As embarcações realizam desde a varredura de áreas contaminadas até a detecção e destruição de minas com o uso de sensores e sistemas especializados.
"As contramedidas de minagem são operações extremamente técnicas, perigosas e desgastantes. O emprego de sistemas não tripulados reduz a necessidade de exposição direta de militares a áreas minadas, aumentando a segurança das tripulações e a eficiência das operações", afirmou Bouças.
Modernização
Dentro desse processo de modernização, a MB prepara a segunda edição da ARAMUSS (Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation), prevista para ocorrer entre 9 e 13 de novembro, na Base Naval de Aratu, em Salvador.
De acordo com a capitão-tenente Daniela Meireles, o evento reunirá academia, indústria e setor de defesa, com "novas demonstrações práticas de veículos autônomos e remotamente operados aplicados às contramedidas de minagem".
A iniciativa reforça o movimento da Marinha em incorporar tecnologias não tripuladas às suas operações, ampliando a capacidade de resposta e reduzindo custos humanos em operações de defesa.