China amplia presença tecnológica e econômica em países de Língua Portuguesa da África Ocidental

Estudo acadêmico aponta fortalecimento de parcerias com diversas nações, com foco em infraestrutura, tecnologia e até mesmo em investimentos estratégicos.

A China tem consolidado a sua presença tecnológica e econômica em países lusófonos da África Ocidental, segundo um estudo acadêmico elaborado por investigadores da Universidade de Georgetown e do think tank The Digital Economist, informou a Inforpress no sábado (2). O relatório destaca o aprofundamento das relações com Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, considerados Estados historicamente marcados por fragilidades econômicas e políticas.

De acordo com os autores William Vogt, Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong, esses países encontram na parceria com Pequim uma alternativa às "tradicionais ligações com o Ocidente". O estudo afirma que os três Estados representam "uma história grande e globalmente significativa sobre a melhor forma de prosseguir o desenvolvimento internacional nos mercados emergentes".

Em declarações à agência Lusa, Vogt afirmou que "a China está construindo relações mais estreitas com os países de Língua Portuguesa através da ligação cultural partilhada com Macau" e recordou o histórico apoio chinês a movimentos aliados durante os primeiros anos de independência de alguns desses países.

Investimento tecnológico e infraestrutura

O relatório aponta uma convergência entre as prioridades de investimento direto estrangeiro da China e as necessidades locais, sobretudo na promoção de inovação tecnológica e na expansão de infraestruturas digitais.

Segundo o acadêmico, há "uma convergência na promoção da disseminação de tecnologia avançada de vigilância e na introdução de componentes, ferramentas e infraestruturas essenciais para a sua plena implementação em novos mercados".

A estratégia integra a iniciativa global lançada pelo presidente Xi Jinping em 2013, descrita no estudo como um projeto de desenvolvimento e infraestrutura destinado a conectar Ásia, Europa e África por rotas terrestres e marítimas, ampliando comércio e investimentos.

Projetos em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe

Em Cabo Verde, os investimentos concentram-se nos setores do turismo e das tecnologias de informação e comunicação. A instalação de cabos submarinos de fibra ótica pela empresa Huawei é citada como exemplo da tentativa chinesa de transformar o arquipélago em um polo digital regional.

O estudo observa que o investimento externo direto funciona como uma "tábua de salvação" para uma economia com limitada diversidade de recursos naturais.

Já em São Tomé e Príncipe, Pequim prioriza projetos agrícolas e o desenvolvimento portuário. Após o país romper relações com Taiwan em 2016, novos acordos bilaterais incluíram iniciativas em TIC sustentáveis e apoio à investigação agronômica. O relatório descreve o arquipélago como "mais do que a terra do cacau e do café", classificando-o como o "Qatar do Golfo da Guiné" pela posição estratégica.

Segundo Vogt, o posicionamento chinês demonstra "uma provável compreensão das prioridades e dos caminhos de desenvolvimento enfrentados por estes países", oferecendo "benefícios socioeconômicos plausíveis" por meio de investimentos, programas tecnológicos e expansão de infraestruturas ligadas ao turismo e à economia digital.