Gêmeas descobrem, mais de 40 anos depois, que têm pais diferentes

Foram documentados cerca de 20 casos deste tipo no mundo, e o de Michelle e Lavinia Osbourne seria o primeiro registrado no Reino Unido.

Michelle e Lavinia Osbourne, gêmeas britânicas de 49 anos, descobriram por meio de testes genéticos que têm pais distintos. Foram concebidas de forma natural, gestadas no mesmo útero e nasceram com poucos minutos de diferença, mas são meias-irmãs; um caso considerado o primeiro documentado no Reino Unido, segundo uma investigação da BBC.

A história foi divulgada na nova temporada do podcast The Gift. De acordo com a emissora britânica, a mãe delas, imigrante jamaicana, engravidou aos 19 anos e as deixou aos cuidados da mãe da sua melhor amiga. Após uma infância difícil, contou-lhes que o pai era um homem chamado James. Já adolescentes, elas o localizaram, mas Michelle duvidava do parentesco. No final de 2021, fez um teste de DNA e confirmou que James não era seu pai.

Após investigar, Michelle identificou seu progenitor: Alex, ligado ao círculo de uma antiga amiga de sua mãe e com graves problemas de dependência química. Lavinia, que não sentiu a mesma conexão, decidiu fazer também um teste. O resultado foi ainda mais inesperado: seu pai biológico era outro homem, e James também não aparecia como pai. Michelle quis ir a fundo na questão e localizou o progenitor de Lavinia: Arthur, um homem de Londres.

Com o tempo, Lavinia e Arthur construíram uma relação próxima; veem-se com regularidade e ela o chama de "papai". Michelle, por outro lado, conheceu Alex, mas afirma que ele não a reconhece e que não deseja integrá-la em sua vida. Devido à demência de sua mãe, as gêmeas não podem confirmar se ela sabia da verdade, embora Michelle acredite que, no fundo, ela intuía.

O caso se explica por um fenômeno extremamente raro chamado superfecundação heteropaterna: dois óvulos liberados no mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de dois homens diferentes em relações separadas. Foram documentados cerca de 20 casos no mundo.