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País europeu alerta para 'ponto sem retorno' nas relações entre EUA e UE

"O fato de Trump anunciar a retirada de 5 mil soldados da Alemanha é um sinal muito importante. É muito grave", indicou o presidente sérvio.
País europeu alerta para 'ponto sem retorno' nas relações entre EUA e UEAP / Darko Vojinovic

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, assinalou nesta semana a drástica piora que sofreram ultimamente as relações entre EUA e Europa. Vucic destacou a decisão de Donald Trump de reduzir o número de efetivos militares destacados na Alemanha.

"Não esperava que os americanos iniciassem um enfrentamento com os alemães a esta velocidade. O fato de Trump anunciar a retirada de 5.000 soldados da Alemanha é um sinal muito importante. É muito grave", indicou Vucic.

"Os mercados bursáteis desabam na sequência de uma única declaração, e esta é uma verdadeira declaração política que fala sobre a relação entre as duas maiores potências ocidentais", sustentou o mandatário. "É óbvio que os interesses já não coincidem e que chegamos a um ponto sem retorno. Não creio que seja bom para a economia sérvia, nem para a economia nem para a política, que estas relações sejam as piores possíveis", afirmou.

Do mesmo modo, Vucic recordou outra decisão prejudicial para a Europa tomada pelo líder americano nos últimos dias: a de aumentar as tarifas sobre automóveis e caminhões importados da União Europeia que entram no país norte-americano. Em sua opinião, esta medida também gerará consequências negativas para os países europeus, incluindo a Sérvia.

Redução de tropas e tensões entre EUA e Alemanha

Nesta sexta-feira (1), o porta-voz principal do Departamento de Guerra americano, Sean Parnell, detalhou que se espera que a retirada seja concluída entre os próximos 6 ou 12 meses. Enquanto isso, altos funcionários americanos indicaram, sob condição de anonimato, que se trata de um sinal do descontentamento de Trump com o nível de assistência que os aliados europeus ofereceram aos EUA em sua ofensiva contra o Irã.

No início desta semana, o presidente americano criticou o chanceler alemão, Friedrich Merz, que havia assinalado a ineficácia da estratégia negociadora de Washington com Teerã. Merz afirmou que se sentia "desiludido" com a abordagem adotada pelos EUA e Israel contra o Irã e, em seu lugar, defendeu a necessidade de a União Europeia trabalhar arduamente em busca de uma solução diplomática para o conflito. Anteriormente, ele asseverou que as autoridades iranianas estão "humilhando" os EUA, ao deixar evidente que a Casa Branca carece de um plano.

Por sua vez, Trump defendeu suas ações contra Teerã, afirmando que é algo "que outras nações – ou presidentes – deveriam ter feito há muito tempo" e as contrastou com o que, do seu ponto de vista, representa o "fracasso" de Berlim sob as rédeas de Merz. "Não é de surpreender que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", avaliou.

  • O Exército dos Estados Unidos mantém uma presença maciça na Alemanha desde o pós-guerra da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria. Segundo o Pentágono, em dezembro do ano passado havia mais de 36 mil soldados na ativa destacados em bases por todo o país europeu, além de quase 1,5 mil reservistas e 11,5 mil civis. O país também abriga as sedes do Comando Europeu e do Comando Africano dos EUA, e sua base aérea de Ramstein é um centro fundamental para as operações americanas.