
Enviado do Kremlin: 'Mundo caminha às cegas em direção à maior crise energética da história'

Kirill Dmitriev, enviado especial da Presidência russa e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, advertiu que o mundo está à beira da maior crise energética da história.
"O mundo avança às cegas em direção à maior crise energética da história, e só agora algumas pessoas inteligentes estão começando a perceber", escreveu em sua conta no X. Assim reagiu Dmitriev à entrevista de Eric Nuttall, sócio e gestor sênior de carteiras da Ninepoint Partners, à Bloomberg TV.

Nuttall afirmou que o mundo já está vivendo a maior crise energética já vista, mas nem todos os países entendem isso. O analista destacou que, com a produção de petróleo no Oriente Médio reduzida em 14 milhões de barris diários, as reservas estão a ponto de atingir mínimos históricos. Além disso, previu que os preços do petróleo ultrapassarão os US$ 150 por barril, algo que Dmitriev já havia previsto há muito tempo.
Disparam os preços em meio às tensões no Oriente Médio
Os mercados petrolíferos têm experimentado um período de elevada volatilidade desde que começou o conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro. Diante da preocupação de que o conflito entre EUA e Irã pudesse provocar uma prolongada interrupção do trânsito de hidrocarbonetos pelo Estreito de Ormuz, que permanece bloqueado, causando um dano maior à economia mundial, os futuros do petróleo Brent, referência mundial do petróleo, alcançaram nesta quinta-feira (30) uma máxima de quatro anos ao superar os US$ 126 por barril (embora tenham fechado o dia com uma queda de cerca de US$ 4).
O preço do Brent dobrou desde que começou o ataque americano-israelense contra a República Islâmica, enquanto o petróleo de referência americano West Texas Intermediate subiu cerca de 90% devido ao fechamento efetivo de Ormuz, por onde transita aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, informa a Reuters.
O aumento do preço do petróleo pode provocar uma nova alta da inflação mundial e um incremento nos preços da gasolina nos Estados Unidos, que já alcançou na quarta-feira os US$ 4,229 por galão, o mais alto desde julho de 2022, antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas no final deste ano no país norte-americano. O petróleo, o gás e seus derivados refinados são fundamentais para o funcionamento de automóveis, caminhões e aviões, o fornecimento elétrico a residências e indústrias, e a produção de plásticos e fertilizantes.

