O diretor executivo da empresa norte-americana de petróleo e gás Exxon Mobil, Darren Woods, alertou nesta sexta-feira que o mercado ainda não assimilou completamente o impacto da interrupção sem precedentes no abastecimento de petróleo provocada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, segundo informam a mídia local.
A interrupção foi amenizada pela grande quantidade de petroleiros carregados que transitavam durante o primeiro mês da guerra, explicou o CEO da empresa sediada no Texas aos investidores durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre da Exxon.
Além disso, ele indicou que também foram liberadas reservas estratégicas de petróleo e reduzidos os estoques comerciais, detalhando que uma dessas fontes de abastecimento se esgotará à medida que o conflito continuar, e os preços do petróleo aumentarão enquanto o estreito permanecer fechado.
"Haverá mais consequências"
"É evidente para a maioria que, se observarmos a interrupção sem precedentes no abastecimento mundial de petróleo e gás natural, o mercado ainda não sentiu o impacto total", declarou ele. "Haverá mais consequências se o estreito permanecer fechado", acrescentou.
Woods prevê que os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico se normalizem em um ou dois meses após a reabertura do estreito, observando que, para isso, é necessário reposicionar os navios-tanque e gerenciar o atraso na oferta, já que os navios demoram a chegar aos seus destinos.
Além disso, ele opina que os governos e a indústria deverão reabastecer suas reservas estratégicas e estoques comerciais caso os estoques se esgotem ao final do conflito no Oriente Médio, o que —segundo ele— aumentará a demanda no mercado e exercerá pressão de alta sobre os preços.
A negociação de futuros de petróleo tem sido volátil durante a guerra. Os preços dispararam diante do risco de escalada e depois despencaram diante da esperança de paz, repetindo-se o ciclo. O petróleo bruto americano caiu mais de 3% na sexta-feira (1), para US$ 101,38 por barril, enquanto o Brent, referência internacional, caiu cerca de 2%, situando-se em US$ 108.