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"Precedente perigoso": Biden reage ao veredito sobre a imunidade de Trump

Para Biden, o entendimento da Corte transforma o cargo de presidente dos EUA em um "rei acima da lei".
"Precedente perigoso": Biden reage ao veredito sobre a imunidade de TrumpAP / Jacquelyn Martin

O presidente norte-americano Joe Biden reagiu à determinação emitida nesta segunda-feira pela Suprema Corte dos EUA sobre o caso paradigmático do ex-presidente Donald Trump. Para Biden, o entendimento da Corte abre um "precedente perigoso", que transforma o presidente dos EUA em um "rei acima da lei".

"A decisão de hoje da Suprema Corte sobre a imunidade do presidente (...) quase significa que praticamente não há limites para o que o presidente pode fazer. (...) Os únicos limites serão autoimpostos pelo presidente".

"A decisão de hoje é a continuidade dos ataques da Corte, em anos recentes, contra amplos princípios legais há muito ancorados nas leis de nossa nação", declarou o mandatário, mencionando decisões controversas como a que interfere no direito ao aborto. 

Biden acusou o ex-presidente Donald Trump de ter enviado, há quatro anos, "uma mobilização violenta para a capital federal, buscando impedir a transferência pacífica de poder". De acordo com ele, a decisão desta segunda impede que Trump responda legalmente por isso, transferindo ao povo norte-americano a responsabilidade de decidir se o ex-mandatário deve retornar ao poder diante das suas atitudes. "Isso sabendo que agora ele estará mais encorajado para fazer o que quiser", prosseguiu.

Determinação paradigmática

Nesta segunda-feira, com seis votos a favor e três contrários, a Suprema Corte dos EUA emitiu uma decisão histórica, determinando, pela primeira vez, que os ex-presidentes do país gozam de imunidade absoluta contra processos por seus atos oficiais e de nenhuma imunidade pelo que fizeram extraoficialmente.

O veredicto significa um atraso no processo criminal contra Donald Trump devido às alegações de que ele tentou reverter sua derrota na eleição presidencial de 2020. Ao fazer isso, os juízes colocaram nas mãos dos tribunais inferiores a avaliação exata de como essa decisão se aplica ao caso contra o ex-presidente.

A decisão da Suprema Corte põe fim, em última análise, às esperanças dos democratas de que Trump seja julgado antes das eleições de novembro.