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Projeto na Amazônia aumenta produção de dendê e atrai interesse internacional

Iniciativa no Pará combina culturas, melhora rendimento por planta e reduz uso de insumos externos.
Projeto na Amazônia aumenta produção de dendê e atrai interesse internacionalGettyimages.ru / Icoccia

Um projeto desenvolvido em Tomé-Açu, no Pará, tem alterado o modelo de cultivo do dendê ao adotar sistemas agroflorestais que reproduzem a dinâmica da floresta.

A iniciativa tem resultado em aumento de produtividade, recuperação do solo e interesse de setores industriais, informou o portal g1 nesta sexta-feira (1º).

O modelo integra o dendê a outras culturas, como açaí, cacau e andiroba. A proposta substitui o monocultivo por um sistema diversificado, no qual diferentes espécies convivem no mesmo espaço. Esse arranjo contribui para o equilíbrio do ambiente e reduz a necessidade de insumos externos.

Dados do projeto indicam que a produção por planta pode alcançar até 180 quilos de cachos por ano, em comparação à média de 130 quilos no sistema tradicional.

O cultivo também apresenta ganhos na estrutura do solo. Em cerca de 17 anos, a camada de matéria orgânica passou de 5 centímetros para mais de 30 centímetros.

Além do desempenho produtivo, o dendê cultivado nesse sistema pode atingir valor de mercado entre 15% e 20% superior ao convencional. O modelo também permite que o próprio sistema forneça parte dos nutrientes necessários, o que diminui a utilização de fertilizantes químicos.

O Pará concentra a maior produção de dendê no Brasil. No cenário internacional, a cultura enfrenta críticas relacionadas ao desmatamento, especialmente em países do Sudeste Asiático. Em Tomé-Açu, a adoção de sistemas integrados busca responder a esse contexto com práticas de cultivo diversificadas.

A iniciativa tem atraído o interesse da indústria de cosméticos, que utiliza o óleo de dendê como matéria-prima. O produto também está presente em alimentos industrializados e biocombustíveis, consolidando sua relevância no mercado global.