O aumento do déficit fiscal e o contínuo crescimento da dívida pública dos EUA representam um risco importante para a manutenção de sua atual classificação de crédito soberano, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira (30) pela agência de classificação Fitch.
A nota AA+ (estável) dos EUA já reflete uma deterioração sustentada na qualidade de sua governança, especialmente no que diz respeito à elaboração de políticas fiscais. Segundo a Fitch, a situação fiscal americana se deteriorará em 2026 devido aos cortes de impostos previstos no 'One Big Beautiful Bill Act' ('Grande e belo projeto de lei'), apesar das compensações provenientes das receitas tarifárias.
Um panorama sombrio
Em seu relatório, a agência de classificação prevê que o déficit geral do governo dos EUA atingirá níveis próximos a 7,9% do seu produto interno bruto (PIB) neste ano e no próximo. Como resultado, a dívida pública ultrapassará 120% do PIB até 2027, muito acima da de outras nações que compartilham a mesma classificação de crédito.
Também alerta para pressões de gastos de longo prazo, especialmente devido ao envelhecimento da população. Programas como a Previdência Social e o Medicare podem ficar sem fundos em aproximadamente uma década se não forem feitas mudanças, o que agravaria ainda mais o panorama fiscal.
Além disso, a Fitch menciona que outras fontes de incerteza aumentam os riscos para a estabilidade fiscal futura dos EUA, entre as quais estão a durabilidade e a rentabilidade das tarifas, um aumento nos gastos com defesa e o conflito com o Irã.
Em agosto de 2023, a Fitch reduziu a classificação dos EUA de AAA para AA+, argumentando a preocupação com as tensões políticas relacionadas ao teto da dívida, que aproximaram o país do limite da suspensão de pagamentos.