Caso Epstein gera profunda crise na diplomacia britânica

Fontes internas descrevem um clima de "choque" e desânimo no Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido atravessa uma profunda crise interna marcada por demissões, incertezas e polêmicas recentes, segundo reportagem do Politico publicada nesta quinta-feira (30). A demissão de Olly Robbins, subsecretário permanente, por decisão do primeiro-ministro Keir Starmer, após falhas de segurança na nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA, devido à sua ligação com o predador sexual Jeffrey Epstein.

Fontes internas descrevem um clima de "choque" e baixa moral, agravado por um plano de cortes que prevê a eliminação de até um quarto do quadro de funcionários até 2030. O processo obriga milhares de funcionários a se candidatarem novamente aos seus próprios cargos, enquanto alguns altos cargos optam por abandonar o serviço público.

O sindicato FDA alerta para uma "crise" na instituição, num momento em que Londres busca demonstrar firmeza na política externa. A isso somam-se novos tropeços diplomáticos, como as declarações polêmicas do embaixador interino em Washington, Christian Turner, que afirmou a um grupo de estudantes que o único país com uma relação especial com os EUA é Israel. Segundo um funcionário disse à mídia, esses comentários implicariam medidas severas de repreensão em condições normais, mas o governo britânico não pode se dar ao luxo de mais escândalos.

Críticos também alertam que os cortes poderiam enfraquecer seu poder de influência, afetando áreas chave como a ajuda internacional ou a presença diplomática no exterior. Enquanto isso, o governo insiste que a reforma tornará o ministério mais eficiente, embora a falta de rumo e liderança continue gerando inquietação dentro e fora do país.