A volatilidade da memória — aquele instante em que esquecemos um nome ou um compromisso — tem uma solução aparentemente simples: o movimento.
Estudos revelaram que a prática de exercícios aeróbicos, como caminhadas vigorosas ou uso de bicicleta ergométrica, pode estimular diretamente a capacidade de retenção de informações e fortalecer áreas cerebrais cruciais.
As pesquisas demonstram que exercícios promovem o aumento de ondas cerebrais no hipocampo, região fundamental para a consolidação das lembranças. Ao monitorar a atividade elétrica de participantes, se observa que o esforço físico gera surtos de atividade neuronal sincronizada, facilitando o armazenamento de novos dados.
Tempo da atividade importa
Um detalhe relevante é o tempo da atividade: caminhar cerca de quatro horas após um aprendizado pode ser mais eficaz para a retenção. A prática constante de exercícios ajuda não apenas a memória de curto prazo, mas também protege o cérebro contra o envelhecimento.
Isso ocorre porque pessoas com boa saúde cardiovascular produzem mais BDNF ("Brain-Derived Neurotrophic Factor") – proteína produzida pelo cérebro que ajuda na sobrevivência, crescimento e comunicação dos neurônios. Ela tem papel central na memória, aprendizado, plasticidade cerebral e regulação do humor.
Segundo especialistas, o benefício é acumulativo: quanto mais ativo o indivíduo se mantém, maiores são os ganhos cognitivos a cada nova sessão de treino.
Segundo Flaminia Ronca, pesquisadora de fisiologia do exercício no University College de Londres, a constância é a chave para o progresso. Ela explica que o corpo se torna mais eficiente com o tempo: "Se você continuar fazendo exercício por seis semanas, obterá benefícios maiores a cada sessão seguinte", afirma a especialista.