80 anos após proibição de cassinos e jogos de azar, Brasil vive dilema com 'bets digitais'

O país registrou 26,4 bilhões de acessos a apostas online em 2025 e conta hoje com cerca de 187 empresas autorizadas a operar.

Em 30 de abril de 1946, o Brasil proibiu cassinos e jogos de azar no governo Eurico Gaspar Dutra, encerrando uma atividade que havia se expandido nas décadas anteriores sob justificativa de razões morais, jurídicas e religiosas, conforme disposto pelo decreto presidencial assinado em 30 de abril de 1946.

Oito décadas depois, o debate sobre jogos de azar retorna ao centro das discussões no país, impulsionado pela expansão das plataformas digitais de apostas, popularmente conhecidas como "bets".

Embora cassinos físicos permaneçam proibidos desde 1946, o ambiente online seguiu trajetória distinta.

Expansão Digital

Segundo dados divulgados pelo site Aposta Legal, o mercado de apostas online legalizadas no Brasil encerrou 2025 com 26,4 bilhões de acessos, consolidando o primeiro ano completo da nova fase regulada em escala ampliada.

O volume equivale a uma média de 2,2 bilhões de visitas por mês ou cerca de 71 milhões de acessos por dia no país.

Na comparação com 2024, o tráfego das casas de apostas cresceu 237% em um ano.

Regulamentação

O governo federal publicou em 24 de abril uma resolução que amplia a regulação sobre o mercado de apostas e proíbe a atuação das chamadas plataformas de predição, que permitem apostas sobre eventos como eleições e clima.

Segundo o Ministério da Fazenda, esse modelo não está previsto na legislação das bets, que se limita a apostas esportivas e jogos online.

"A gente tem acompanhado a evolução desse setor no Brasil, que sofreu um espaço de anarquia porque não teve regra de 2018 a 2022", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Com apoio da Anatel, o governo bloqueou 28 plataformas e retirou do ar cerca de 39 mil domínios considerados irregulares. Também foram derrubados 203 aplicativos e centenas de perfis em redes sociais.