A crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz pode impor até US$ 1 trilhão em custos adicionais à economia mundial, de acordo com uma análise de dados do FMI realizada pela organização climática 350.org e citada pelo The Guardian na terça-feira (28).
O cálculo estima que, mesmo que o tráfego por Ormuz se normalize rapidamente, o impacto mínimo será de cerca de US$ 600 bilhões.
Os autores do estudo advertem que se trata de uma estimativa conservadora, que não incorpora efeitos indiretos como o encarecimento de fertilizantes e alimentos, o aumento do desemprego ou a queda da atividade econômica.
O encarecimento do petróleo e do gás afeta com mais dureza os países pobres, enquanto grandes petrolíferas, especialmente fora do Golfo Pérsico, registram lucros trimestrais elevadíssimos impulsionados pela escalada dos preços.
Lucros "obscenos"
Anne Jellema, diretora-executiva da 350.org, classificou como "obscenos" os lucros obtidos pelas grandes petrolíferas "à custa de uma guerra que já matou milhares e empobreceu milhões".
Ela defendeu a criação de um imposto extraordinário sobre esses ganhos para financiar redes de proteção social e investimentos em energias renováveis "mais baratas, limpas e confiáveis" que os combustíveis fósseis.
O alerta ocorreu durante a Primeira Conferência para a Transição Energética, realizada em Santa Marta, na Colômbia, onde representantes de mais de 50 países e organizações civis denunciaram que a crise do petróleo agrava a pobreza, a dívida e a insegurança alimentar.
Delegados de Estados insulares do Pacífico e países africanos afirmaram que a alta dos combustíveis obriga a cortes em educação, saúde e infraestrutura, e alertaram para o risco de protestos e desordens caso os preços se mantenham elevados por meses.