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PF devolve credenciais de agente norte-americano que atua no Brasil

Funcionário do governo dos EUA havia sido alvo do princípio de reciprocidade, após tensões diplomáticas envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
PF devolve credenciais de agente norte-americano que atua no BrasilGettyimages.ru / Andressa Anholete

A Polícia Federal (PF) informou que devolveu, na segunda-feira (27), as credenciais de trabalho de um agente dos Estados Unidos que atua na sede da corporação em Brasília.

A PF havia retirado as credenciais do funcionário norte-americano na última semana, com o diretor-geral Andrei Rodrigues anunciando a decisão na quarta-feira (22). Segundo ele, a medida seguiu o princípio da reciprocidade e ocorreu no âmbito das tensões diplomáticas envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem.

Sem as credenciais, o agente dos EUA havia deixado de ter acesso às instalações e às bases de dados disponibilizadas pelas autoridades brasileiras. Com a nova decisão, ele pode voltar a atuar na sede da PF, segundo informou o portal UOL.

Um segundo servidor do governo norte-americano também foi alvo das medidas. A corporação, entretanto, não esclareceu se as credenciais foram restabelecidas nesse caso.

Entenda:

O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, que atuava em Miami, foi acusado na segunda-feira (20) pelo governo de Donald Trump de ter manipulado o sistema migratório norte-americano para conduzir "perseguições políticas". Apesar de, no anúncio nas redes sociais, Washington ter dito que ele foi convidado a deixar os EUA, Rodrigues explicou que ele não foi expulso do país.

O caso é relativo à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido durante dois dias no estado da Flórida em uma operação que, segundo Rodrigues, foi "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado". 

À época, Andrei explicou que o político é "cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular".

Ramagem permaneceu dois dias em um centro de detenção em Orlando, sendo liberado na quarta-feira (15). Após deixar o centro de detenção, afirmou que sua situação é "absolutamente" regular e que ele não está se escondendo nos EUA. Ele alega que entrou no país com visto válido e solicitou asilo dentro dos procedimentos legais, o que garantiria sua situação regular.

O político, que já ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixou o Brasil e deu entrada no pedido de asilo nos EUA após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu papel na tentativa de trama de golpe de Estado contra Luiz Inácio Lula da Silva.