PF investiga voo com Hugo Motta, Ciro Nogueira e empresário envolvido na CPI das Bets — Estadão

Aeronave partiu de paraíso fiscal no Caribe. Auditor fiscal suspeito de corrupção permitiu que sete volumes de bagagem desembarcassem sem passar pelo raio-X.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar atividades suspeitas no desembarque de um voo particular ligado a empresário investigado pela CPI das Bets, segundo o jornal Estadão, que teve acesso ao relatório da PF, nesta terça-feira (28).

Foram identificados quatro parlamentares na aeronave: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Os registros são de abril de 2025, quando o empresário Fernando Oliveira Lima, dono da aeronave e ligado ao mercado de bets, era investigado pela CPI das apostas no Senado, que contou com a participação de Ciro Nogueira.

Segundo a reportagem, o voo saiu da ilha de São Martinho, considerada um paraíso fiscal no Caribe, e pousou na cidade de São Roque (SP).

O caso entrou no radar da PF enquanto investigavam um possível caso de corrupção do auditor fiscal Marco Canella, que já havia sido indiciado por facilitação de contrabando ou descaminho.

No voo com os parlamentares, que foi registrado pelas câmeras de segurança, informa a reportagem, o auditor permitiu que um funcionário de Fernando desembarcasse com sete volumes de bagagem sem passar pelo raio-X.

A PF suspeita que o conteúdo das bagagens possa ser ilegal, considerando o envolvimento de Canella e a origem do voo. Os donos de cada uma das malas ainda não foram identificados

O relatório parcial da PF afirma que a continuidade das investigações pode chegar ao envolvimento de algum dos parlamentares e isso levou ao envolvimento do STF no caso. A reportagem afirma ter entrado em contato com todos os envolvidos, mas não obteve respostas.