Meio ano após operação mais letal do RJ, famílias seguem sem reparação ou respostas

A Operação Contenção —ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro — completa seis meses nesta terça-feira (28). E o episódio de violência segue sem respostas concretas ou indicativos de mudança do poder público.
É o que afirmou o coordenador do Fórum Popular de Segurança do RJ, Fransérgio Goulart. "A gente nem denomina chacina, denomina massacre da Penha (...) muitas autoridades se comprometeram com uma série de questões e, até hoje, não tivemos resposta de nada", disse, em entrevista à RT.
A ação nos complexos do Alemão e da Penha deixou pelo menos 122 mortos. O cenário é marcado por denúncias de morosidade institucional e ausência de políticas de reparação às famílias.
"Até hoje a gente não teve resposta de nada. Esses familiares não tiveram nenhum procedimento de reparação, financeira ou psicológica", disse Goulart.
O especialista também criticou a postura de órgãos federais à época da operação. "Teve uma postagem muito criminalizadora do Ministério dos Direitos Humanos (...) num claro sentido de que aqueles familiares poderiam ser familiares de pessoas envolvidas com tráfico", afirmou, destacando que, mesmo nesses casos, não se justificariam execuções.
No campo judicial, o representante apontou lentidão e falta de sensibilidade no tratamento das vítimas. "Depois de seis meses é que o Ministério Público começa a ouvir esses familiares", disse.
Ele ainda criticou a realização de oitivas em espaços militares e a ausência de protocolos de acolhimento. "Beira a um nível de crueldade", disse.
Plano de reocupação das favelas
Como resposta institucional, o governo estadual apresentou um plano de reocupação das favelas, após pressão do Judiciário, no contexto da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635), que buscava, originalmente, a redução da letalidade policial no RJ.
Para Goulart, contudo, a medida não atende ao problema central. "A gente não tinha demandado um plano de reocupação militar, mas sim um plano de redução da letalidade policial", afirmou.
