As tensões entre Kiev e Tel Aviv ganharam um novo capítulo nesta terça-feira (28), após o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, ameaçar autoridades israelenses com sanções por supostamente comprarem grãos que ele considera "roubados pela Rússia".
"A aquisição de bens roubados em todos os países normais é um ato que implica responsabilidade jurídica", afirmou Zelensky em suas redes sociais, ao acrescentar que "outro navio com esse grão chegou a um porto israelense e se prepara para descarregar", o que, segundo ele, violaria a legislação de Israel.
O líder do regime de Kiev declarou que "isso não é nem pode ser um negócio limpo". "As autoridades de Israel não podem não saber quais navios e com que carga chegam aos portos do país", insistiu, voltando a acusar a Rússia de transportar o cereal a partir de "territórios ucranianos temporariamente ocupados".
"Ucrânia, com base em informações de nossos serviços de inteligência, está preparando o correspondente pacote de sanções, que abrangerá tanto os que transportam diretamente esse grão quanto pessoas físicas e jurídicas que tentam lucrar com esse esquema criminoso", advertiu.
Além disso, Zelensky afirmou que coordenará essas medidas com parceiros europeus "para que as pessoas correspondentes sejam incluídas nos regimes europeus de sanções".
"As acusações não constituem provas"
As tensões entre Ucrânia e Israel aumentaram na segunda-feira (27) após acusações do regime de Kiev de que Tel Aviv estaria facilitando o "comércio ilegal de grão ucraniano roubado" por Moscou.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, declarou que "acusações não constituem provas" e ressaltou que "ainda não foram apresentadas evidências que sustentem a alegação". Segundo ele, Kiev "nem sequer solicitou assistência jurídica antes de recorrer à mídia e às redes sociais".
O chanceler acrescentou que o caso será analisado. "Israel é um Estado de direito com autoridades policiais independentes. Todas as autoridades israelenses agirão de acordo com a lei", concluiu.
Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, evitou comentar a disputa. "Que o regime de Kiev resolva isso com Israel, e Israel com o regime de Kiev. Não gostaríamos de comentar de forma alguma nem nos intrometer nesse assunto", disse em coletiva de imprensa.