Acordo MERCOSUL-UE é resposta conjunta às ações de Trump, diz Lula após promulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (28) que a promulgação do acordo entre o MERCOSUL e a União Europeia representa uma resposta conjunta às medidas unilaterais adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente no campo tarifário. Segundo ele, o entendimento demonstra que a cooperação internacional continua sendo o melhor caminho para o comércio global.
Lula declarou que, diante das taxações impostas por Washington, Brasil e União Europeia sinalizam ao mundo que "não existe nada melhor do que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações".
O chefe de Estado acrescentou que a iniciativa deve abrir caminho para novas parcerias comerciais, citando possíveis avanços com a EFTA, Singapura e Canadá, além da aproximação da Colômbia com o bloco sul-americano. "As pessoas precisam aprender que não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio", concluiu.
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O acordo gera grande insatisfação em produtores europeus. Segundo ele, as cláusulas desequilibram o mercado e criam condições injustas para os produtores.
Em entrevista à RT, Gonzalo Martínez, porta-voz da União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes (Unaspi), falou sobre o sentimento geral do setor, afirmando que a situação é tão dramática quanto um enterro: "Será a morte do campo espanhol", diz, acrescentando que "toda a agricultura e pecuária espanhola serão inviáveis com o acordo do Mercosul".
Segundo o economista Paulo Nogueira Batista Jr., boa parte dos produtos de maior interesse para o Brasil seguirá submetida a cotas restritivas no acordo entre Mercosul e União Europeia, como carne bovina, frango e etanol. Em artigo ao portal Brasil de Fato, ele observa ainda que itens básicos da pauta exportadora brasileira — como soja, café verde e minério de ferro — já contavam com tarifa zero antes mesmo da conclusão das negociações.
O analista observa que as cotas estabelecidas representam cerca de 1% do consumo europeu, o que, em sua avaliação, evidencia o alcance limitado das concessões oferecidas ao bloco sul-americano.
Ainda de acordo com Batista Jr., o Parlamento Europeu aprovou diretriz para que a Comissão Europeia inclua uma cláusula de salvaguarda que permita a abertura de investigação acelerada caso as importações aumentem 5%. O mecanismo, de apenas três meses, pode resultar na suspensão das condições preferenciais de acesso ao mercado europeu ou na exigência de que os países do Mercosul adotem padrões europeus de produção.

