
Vance 'não tinha autoridade' nas negociações com o Irã, diz membro da delegação de Teerã

A delegação norte-americana, chefiada pelo vice-presidente J.D. Vance, não tinha poder de decisão durante as negociações com o Irã no início de abril, afirmou o professor Seyed Mohammad Marandi, integrante da equipe de negociação de Teerã, na segunda-feira (27), à RT.
Marandi compartilhou suas impressões sobre as negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão, nos dias 11 e 12 de abril.

"Os americanos não tinham autoridade nas negociações. Vance não tinha autoridade para tomar decisões", disse Marandi. "Ele estava constantemente no telefone, fazendo uma dúzia de ligações, inclusive aparentemente para [o primeiro-ministro israelense Benjamin] Netanyahu".
"Uma pessoa que fica fazendo esse tipo de telefonema na mesa de negociação obviamente não tem autoridade para decidir", acrescentou.
A delegação dos EUA era composta por Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo assessor presidencial Jared Kushner — genro de Donald Trump.
O lado iraniano foi liderado pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
As negociações de 21 horas terminaram sem acordo sobre o programa nuclear iraniano nem sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. Então, EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos logo em seguida, e as negociações seguintes foram paralisadas.
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Marandi argumentou que o fracasso de Washington em alcançar um acordo decorre, em parte, do fato de Trump estar mal informado e sob influência do lobby sionista.
"Ele está profundamente prejudicado; algumas de suas decisões desafiam a lógica... Os líderes em Washington acreditam em sua própria propaganda", disse ele.
Marandi sugeriu que outros países, incluindo a Rússia, poderiam atuar como mediadores. Na segunda-feira (27), Araghchi esteve em São Petersburgo para se reunir com o presidente Vladimir Putin, como parte de uma turnê regional para coordenar ações com aliados.

