
Viúva de bilionário do submarino dá relato comovente sobre restos mortais do marido e do filho
Christine Dawood, cujo marido, o empresário paquistanês Shahzada Dawood, e o filho de 19 anos, Suleman, morreram em junho de 2023 após a implosão do submarino Titan, ela compartilhou pela primeira vez detalhes da tragédia com o The Guardian em entrevista publicada no sábado (25).
Dawood relatou que a expedição ao Titanic a bordo da embarcação havia sido planejada como uma aventura em família. Segundo ela, o sonho de visitar os destroços do transatlântico surgiu durante o confinamento da pandemia de 2020, quando encontrou um anúncio de "uma oportunidade única na vida".

Diante disso, a família Dawood recorreu à sua agência de viagens de confiança, que os conectou à OceanGate, empresa responsável por organizar mergulhos turísticos até o famoso navio. O custo da experiência era elevado: "500.000 dólares por dois assentos", valor que ela descreveu como "o tipo de dinheiro pelo qual se esperaria comprar uma casa".
Inicialmente, Christine ocuparia um dos lugares no submersível, mas decidiu ceder a vaga ao filho. "Suleman queria ir e eu fiquei feliz em ceder o assento", afirmou. "Fiquei feliz que ele criasse memórias com o pai. Não posso mudar isso", recordou.
A descida fatal
O acidente ocorreu em 18 de junho de 2023, quando o Titan perdeu contato com sua embarcação de apoio cerca de duas horas após iniciar a descida. Posteriormente, investigadores determinaram que os destroços encontrados no fundo do oceano, a aproximadamente 300 metros do Titanic, eram compatíveis com uma "implosão catastrófica".
Ao comentar sua reação ao ocorrido, Dawood disse: "Meu primeiro pensamento foi 'graças a Deus'". "Quando disseram catastrófico, soube que Shahzada e Suleman nem perceberam. Em um momento estavam ali e, no seguinte, não. Saber que não sofreram foi muito importante. Eles se foram, mas a forma como partiram de certa maneira torna tudo mais fácil", acrescentou.
A viúva também relatou como recebeu os restos mortais dos familiares. "Não recuperamos os corpos por nove meses", afirmou. "Bem, quando digo corpos, refiro-me aos resíduos que restaram. Eles chegaram em duas pequenas caixas, como caixas de sapato", disse. Segundo o veículo, "os resíduos" correspondem aos fragmentos separados por especialistas e submetidos a testes de DNA.
Dawood acrescentou que agentes da Guarda Costeira dos EUA possuem "uma grande quantidade [de restos humanos não identificados] que não podem separar, todo o DNA misturado". "Perguntaram se eu queria parte disso também. Mas disse que não, apenas o que sabem que pertence a Suleman e Shahzada", ressaltou.
Paralelamente, a investigação oficial concluiu que a tragédia era evitável e que o diretor-executivo da OceanGate, Stockton Rush, ignorou diversos alertas sobre a segurança do submarino. "Desde o início, tive muitos motivos para odiar Stockton, mas isso realmente me ajuda?", refletiu Dawood. "Ele morreu com eles. Se fico com raiva dele, estou lhe dando poder, e me recuso a fazer isso".
"Eu escolho a mim mesma... não a felicidade, mas... escolho a mim mesma todos os dias. Se não fizesse isso, não estaria aqui. Eu teria me suicidado, com certeza", afirmou. "É muito difícil. Ser forte não significa que você não esteja sentindo", concluiu.


