O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vassily Nebenzya, acusou, nesta terça-feira (28), países ocidentais de promover censura contra jornalistas e meios de comunicação por meio de sanções. A denúncia foi feita durante discurso na 48ª sessão do Comitê de Informação da Assembleia Geral, em Nova York.
"Está sendo utilizado todo o arsenal da censura política — desde as chamadas 'sanções' contra meios de comunicação e jornalistas até às medidas repressivas contra as suas famílias", declarou Nebenzya.
Na avaliação do diplomata, a situação global do acesso à informação tem se deteriorado, impulsionada por uma tentativa do Ocidente de controlar as narrativas. Segundo ele, esse movimento busca "suprimir a dissidência e manipular a opinião pública internacional".
Conjunto de sanções
O diplomata ainda mencionou a União Europeia (UE), acusando o bloco de adotar novas restrições à liberdade de informação, mesmo décadas após a ONU reconhecer esse princípio como um direito humano fundamental.
Nebenzya também apontou o que chamou de repressão midiática sobre o conflito ucraniano, citando o bloqueio de veículos de oposição e perseguição a dissidentes, além de ataques contra jornalistas em zonas de conflito.
- Em 2 de março de 2022, a União Europeia proibiu a transmissão da RT em seu território, e atualmente o canal enfrenta bloqueios na TV e na internet em países como Estados Unidos e Canadá. Na Áustria, as autoridades implementaram uma multa de 50 mil euros para quem reproduzir conteúdos da RT ou da Sputnik.
- Outro exemplo é a Letônia. No país, a autoridade de mídia (NEPLP) não apenas baniu os canais, mas monitora a recepção ilegal em residências. A polícia pode aplicar multas de até € 700 a indivíduos flagrados apenas assistindo a canais de TV russos sancionados (incluindo via satélite ilegal).