
Tio conta como aconteceu o ataque que matou mãe e filho brasileiros durante cessar-fogo no Líbano

O tio do menino brasileiro Ali Ghassan Nader, Bilal Nader, descreveu em entrevista à TV Globo, nesta terça-feira (28), o momento do bombardeio israelense que matou o garoto de 11 anos.

A família já havia deixado a residência anteriormente, mas decidiu retornar durante o cessar-fogo para retirar seus pertences. Na tragédia, além da criança, morreram a mãe brasileira, Manal Jaafar, e o pai libanês, Ghassan Nader, cujos corpos ainda não foram localizados.
Bilal explicou que a pausa nos ataques encorajou o retorno para organizar a mudança. "Como deu trégua, que pararam de atacar, eles foram para a cidade onde está a casa deles. Aí olharam tudo, tomaram café da manhã, estavam preparando a mala e as coisas que eles iam levar embora da casa", relatou.
No entanto, o bombardeio atingiu o imóvel pouco depois. "Estavam meus dois sobrinhos do lado de fora, meu irmão e minha cunhada dentro. Essa hora houve o bombardeio na casa deles. Os dois, meus sobrinhos, voaram. O menor não resistiu", afirmou Bilal.
Com o impacto, a casa de três andares foi completamente destruída, e os corpos de Ghassan e Manal seguem desaparecidos sob os escombros. Já o filho mais velho do casal, que sobreviveu ao ataque, está em recuperação.
Reação do Itamaraty
Em nota, o Itamaraty manifestou "pesar" pelas vítimas do bombardeio.
"Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL)", expressou a pasta.
Ao longo do comunicado, o governo brasileiro reiterou "sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo", tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah.
O Itamaraty também condenou as "demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano", além do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.

