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Na próxima década a China perderá uma população equivalente a um país europeu; saiba qual

O governo chinês, para combater o problema, ampliou incentivos, como subsídios para creches e licenças parentais; analistas, no entanto, duvidam da eficácia das medidas.
Na próxima década a China perderá uma população equivalente a um país europeu; saiba qualGettyimages.ru / Anadolu / Contributor

A população da China deve diminuir em 60 milhões de pessoas na próxima década — número equivalente à população da França.

Segundo relatório divulgado pelo Rhodium Group em 22 de abril, a mudança pode comprometer a atividade econômica das províncias mais ricas do leste chinês e aumentar a pressão sobre o sistema de aposentadorias do país.

Os dados mais alarmantes dizem respeito ao número de nascimentos. Em 2024, a China registrou 9,02 milhões de nascimentos, o menor patamar desde os anos 1960 e uma queda de 5% em relação ao ano anterior.

Por que isso acontece

A tendência reflete os efeitos persistentes da política do filho único, somados ao alto custo de vida, à urbanização acelerada e à cultura de trabalho exaustiva, fatores que desestimulam as famílias a terem filhos.

Especialistas alertam que a taxa de fertilidade chinesa, atualmente em 1,09 filho por mulher — bem abaixo da taxa de reposição populacional de 2,1 —, pode cair ainda mais sem medidas mais profundas.

O encolhimento populacional também ocorre de forma desigual. Enquanto províncias costeiras como Guangdong e Zhejiang, consideradas motores da economia chinesa, enfrentam escassez de mão de obra jovem, regiões rurais do interior sofrem com o envelhecimento acelerado da população.

De acordo com o relatório, o fenômeno pode reduzir o PIB per capita em até 2% ao ano e ampliar a pressão sobre os fundos de pensão, que já atendem cerca de 300 milhões de aposentados.

Medidas para conter a crise

Ciente do problema, o governo chinês ampliou incentivos como subsídios para creches e licenças parentais. Analistas, no entanto, questionam a eficácia dessas medidas sem reformas mais amplas na economia e na estrutura social do país.

Para reduzir os riscos, o Rhodium Group recomenda políticas agressivas de incentivo à natalidade, além de imigração seletiva e maior automação industrial. Beijing, no entanto, resiste à abertura migratória em larga escala.

Sem respostas rápidas, a China poderá perder até 2035 a posição de maior força de trabalho do mundo, com impactos sobre o comércio internacional e o equilíbrio geopolítico. O relatório descreve o cenário como um alerta urgente para um país que, pela primeira vez em séculos, enfrenta a perspectiva de declínio populacional contínuo.