Revelado: CIA usou norte-coreanos como cobaias humanas em experiências

Os documentos desclassificados descrevem a criação de equipes especializadas para interrogatórios. Cada equipe deveria ser composta por um médico, de preferência um psiquiatra, um hipnotizador e um técnico em polígrafo.

A inteligência dos Estados Unidos submeteu prisioneiros de guerra norte-coreanos a experimentos secretos de controle mental no início da década de 1950, como parte dos projetos Bluebird e Artichoke, antecessores do infame programa MK-Ultra, revelou o site The Intercept no domingo (26) com base em documentos desclassificados da CIA.

Os documentos detalham testes com hipnose, polígrafo e drogas psicoativas realizados sem o consentimento dos soldados. Os experimentos faziam parte de uma busca por métodos de interrogatório "avançados", incluindo a procura por um suposto "soro da verdade" e técnicas para induzir amnésia e alterar a personalidade.

O jornalista John Marks, em seu livro "Em Busca do Candidato Manchuriano", já havia relatado que, em 1950, a CIA selecionou 25 prisioneiros norte-coreanos como primeiras cobaias humanas no Japão.

Um informe de uma reunião da agência menciona um "projeto no Japão e na Coreia no qual o Exército utilizou um operador de polígrafo junto com uma equipe de psiquiatras e psicólogos com prisioneiros de guerra coreanos".

Os documentos descrevem a criação de equipes especializadas para os interrogatórios, cada uma composta por um médico (de preferência psiquiatra), um hipnotizador e um técnico de polígrafo.

Entre os recursos previstos estavam drogas, dispositivos de injeção camuflada, técnicas de sugestão e instrumentos para registrar reações fisiológicas. A CIA também considerou a aquisição de dispositivos experimentais "hipospray", projetados para administrar sedantes de forma encoberta.

O caráter perturbador do programa fica evidente nas perguntas que a agência buscava responder por meio da experimentação, listadas em um dos memorandos desclassificados: