O representante permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, acusou, nesta segunda-feira (27), a União Europeia (UE) de violar a liberdade de navegação e praticar "pirataria marítima".
Durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o diplomata alertou que o envolvimento de forças da OTAN na retenção de navios pode desencadear uma escalada militar com sérios impactos no comércio global.
Nebenzya disparou: "as ameaças à segurança marítima já não vêm de piratas, mas de novos flibusteiros do século XXI — países da União Europeia".
O diplomata ainda destacou que a atual instabilidade nos oceanos mundiais "representa não apenas uma séria ameaça ao comércio global, mas também um fator de agravamento da crise econômica mundial, mas pode igualmente servir como gatilho para uma escalada militar".
Segundo o representante, a detenção de embarcações por membros da UE afronta a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que garante a liberdade de navegação e proíbe que Estados costeiros interceptem navios estrangeiros fora das condições previstas pelo direito internacional.
Nebenzya ressaltou ainda que tais ações acabam por "enfraquecer a segurança energética e alimentar, criando problemas humanitários para países em desenvolvimento", sobre efeitos colaterais das práticas em economias mais vulneráveis.
No mesmo discurso, ele atribuiu a deterioração da segurança no Estreito de Ormuz aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
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O diplomata afirmou que, em estado de conflito, um país costeiro tem o direito de restringir a navegação em suas águas territoriais por segurança, mas reforçou que a Rússia defende um cessar-fogo e o retorno ao diálogo político para resolver as tensões na região.