O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (27) que os Estados Unidos "não alcançaram nenhum de seus objetivos" no confronto com Teerã e questionou o fato de o presidente Donald Trump ter se declarado vencedor.
"Então, por que propuseram negociações?", questionou o ministro, acrescentando que seu país enfrenta "a maior superpotência do mundo".
O chefe da diplomacia iraniana afirmou que Teerã está atualmente considerando a opção do diálogo. As declarações foram dadas durante sua visita a São Petersburgo, onde agradeceu à Rússia pelo apoio "sólido e firme nos momentos difíceis" e definiu a relação bilateral como uma "parceria estratégica do mais alto nível".
Visitas
Antes de chegar à Rússia, Araghchi visitou Islamabad, no Paquistão, onde apresentou a posição de Teerã ao mediador paquistanês, e Mascate, em Omã, onde se reuniu com membros do governo omani.
Araghchi comentou sobre o propósito dessas viagens. "O objetivo das minhas visitas é coordenar de perto com nossos parceiros em questões bilaterais e consultar sobre os desenvolvimentos regionais", escreveu ele no X na sexta-feira (24).
Postura da Rússia
A Rússia condenou em diversas ocasiões a agressão não provocada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além de declarar disposição para contribuir com uma solução pacífica para a crise.
"Defendemos os interesses do Irã e de todos os países da região [...], que também sofrem a agressão desencadeada pelos Estados Unidos e Israel", afirmou o chanceler russo, Sergey Lavrov.
"A causa fundamental, a agressão americano-israelense, sempre é a chave para uma solução", acrescentou.
O Kremlin defendeu a continuidade das negociações e advertiu que, em um cenário de violência no Oriente Médio, as consequências econômicas para a região e para o restante do mundo poderão se agravar.
Moscou destacou ainda que o Irã "não violou nenhuma obrigação internacional, inclusive as relativas ao seu programa nuclear".
"Em 2015 foi assinado o Plano de Ação Integral Conjunto (PAIC). Foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos o destruíram quando, em 2017, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, se retiraram do acordo, violando todas as suas obrigações. O Irã não violou nada", declarou Lavrov em março.