Escalada entre EUA e Irã pode desencadear 'pesadelo' político na UE - Politico

O aumento dos preços da energia alimenta a desconfiança nos governos nacionais e na capacidade das instituições da UE de proteger os cidadãos contra crises externas.

Líderes europeus temem que o crescente confronto entre os EUA e o Irã possa ir além do impacto econômico e resultar em um "pesadelo" político para a União Europeia (UE), segundo uma análise publicada nesta segunda-feira (27) pelo portal Politico.

O bloqueio do Estreito de Ormuz mantém os preços do petróleo acima dos US$ 100 por barril, o que dispara os custos da energia na Europa.

Seamus Boland, presidente do Comitê Econômico e Social Europeu, indicou que as famílias europeias de renda média e baixa são as mais afetadas, já que o aumento do custo da energia se reflete nos alimentos, no transporte e na moradia.

Boland destacou que, no plano político, isso alimenta a desconfiança tanto nos governos nacionais quanto na capacidade das instituições da UE de proteger os cidadãos diante das "crises externas", o que poderia impulsionar posturas "mais protecionistas ou isolacionistas".

O aumento dos preços decorrente do conflito agrava o fraco crescimento do bloco. O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, alertou que a crise, antes considerada transitória, se configura como mais duradoura e já se estende a toda a economia.

Ele ressaltou que a combinação de inflação e desaceleração econômica obriga a revisar para baixo as previsões para este ano.

Crise política à vista

De acordo com o Politico, com o aumento do custo da energia e o crescimento econômico estagnado, os governos europeus se preparam para uma crise que dificilmente poderão conter e que ameaça atingir a "já enfraquecida corrente política dominante do bloco".

Os líderes da UE debatem medidas de alívio, como reduções temporárias dos impostos sobre a eletricidade, subsídios sociais ou investimentos em redes energéticas.

No entanto, as negociações sobre o orçamento da UE para 2028-2034 geram novas divisões. Segundo o Político, países do norte do continente buscam conter os gastos e priorizar a defesa, enquanto os do sul reivindicam maior apoio econômico.

A crise surge em um momento delicado para a Europa, ainda marcada pela dívida pós-pandemia e pelas consequências da primeira crise energética após o conflito na Ucrânia.