Cientistas introduziram cocaína em salmões; entenda o motivo

Os peixes expostos à droga mudaram seu padrão de comportamento, se tornando mais hiperativos; essa alteração tem o potencial de causar impactos nos ecossistemas.

Uma equipe composta por cientistas de vários países analisou como a cocaína e seus metabólitos afetam o comportamento dos peixes em seus habitats naturais, e não apenas em laboratório, apontou um comunicado da Universidade Griffith, na Austrália, publicado em 21 de abril, que participou da pesquisa sobre os efeitos da contaminação por drogas em salmões-do-Atlântico jovens.

A contaminação por drogas representa uma ameaça crescente para os ecossistemas aquáticos. No entanto, ainda não se sabe como essas potentes substâncias neuroativas podem afetar o comportamento e os movimentos de espécies não-alvo em seu habitat natural.

Durante oito semanas, mais de uma centena de espécimes com implantes de liberação lenta de substâncias foram monitorados por meio de rastreamento por telemetria acústica.

Os peixes foram divididos em três subgrupos: um grupo de controle e dois experimentais — um exposto à cocaína e o outro ao seu principal metabólito, a benzoilecgonina, presente nas águas residuais.

Descobriu-se que os peixes expostos a essa última se tornaram significativamente mais ativos: nadaram quase 1,9 vezes mais longe do que os peixes do grupo de controle e se aventuraram até 12,3 km no lago, muito além de seu alcance normal.

O comportamento hiperativo se intensificou com o tempo, o que indica que a exposição alterou a forma como os peixes utilizavam o espaço em um ecossistema natural complexo.

Importância da descoberta

As descobertas são importantes porque o movimento desempenha um papel fundamental na forma como os animais interagem com o ambiente.

"O local para onde os peixes se deslocam determina o que comem, o que os come e como as populações se estruturam", afirmou o Dr. Marcus Michelangeli, coautor do estudo.

"Se a poluição está alterando esses padrões, tem o potencial de afetar os ecossistemas de maneiras que mal estamos começando a compreender", declarou.

Pesquisas futuras se concentrarão em determinar a magnitude desses efeitos, identificar quais espécies correm maior risco e verificar se a alteração dos padrões de deslocamento se traduz em mudanças na sua sobrevivência e reprodução.

Os pesquisadores, no entanto, indicaram que isso não representa uma ameaça para as pessoas que consomem esses peixes.