Chanceler iraniano pede criação de mecanismos de segurança coletiva na região sem os EUA

Abbas Araghchi afirmou que a guerra imposta ao Irã "mostrou que a presença militar dos Estados Unidos só gera insegurança e divisão" no Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, defendeu, neste domingo (26), a criação de mecanismos de segurança coletiva no Oriente Médio sem a participação dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante um encontro com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq Al Said, em Mascate.

"A experiência da guerra imposta ao Irã durante 40 dias mostrou que a presença militar dos Estados Unidos nos países da região só gera insegurança e divisão", afirmou.

Ele acrescentou que "espera-se que todos os países da região adotem uma abordagem construtiva e responsável para desenvolver mecanismos endógenos de segurança coletiva, livres da intervenção americana".

Por sua vez, o sultão de Omã expressou condolências pelo assassinato do aiatolá Ali Khamenei e de vários altos funcionários e cidadãos iranianos. Ele também pediu para transmitir seus "cordiais cumprimentos" às atuais lideranças do país. "Espero que a guerra termine o quanto antes, de forma definitiva, e que em breve a estabilidade e a segurança sejam restabelecidas na região", afirmou.

Antes de seguir para Omã, o ministro esteve em Islamabad, onde apresentou a posição de Teerã ao mediador paquistanês. Araghchi "explicou as posições fundamentais" do Irã "em relação aos últimos desenvolvimentos ligados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta ao Irã", segundo comunicado divulgado no canal oficial do chanceler no Telegram.

Após a viagem ao Paquistão no sábado, Araghchi também declarou: "Ainda não vimos se os Estados Unidos realmente levam a diplomacia a sério".

Negociações am aberto

O processo de negociações entre Irã e Estados Unidos ficou em aberto depois de, nesta quarta-feira (22), as delegações dos dois países não se reunirem em Islamabad.

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar na terça-feira (21) que havia prorrogado o cessar-fogo até que Teerã apresentasse uma proposta unificada, já que, segundo ele, o governo iraniano estaria "gravemente dividido", poderia ter havido um clima de alívio. No entanto, depois do anúncio, foi relatado que Teerã "não teria solicitado a prorrogação do cessar-fogo", o que poderia indicar, segundo avaliações, que Trump "fracassou na condução da guerra".

«PROJEÇÃO DE PODER E (TAMBÉM) ALVO INIMIGO: ONDE ESTÃO OS MILITARES AMERICANOS NO ORIENTE MÉDIO»

Enquanto isso, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que, diante das "ameaças repetidas" do presidente americano, as Forças Armadas iranianas estão totalmente prontas para responder e dar uma "lição ainda mais dura" aos EUA e a Israel, caso haja um novo ataque ao país. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã decidiu se afastar das conversas devido às ações inconsistentes e contraditórias de Washington.

Por sua vez, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou à Fox News que o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, viajarão ao Paquistão para participar, neste fim de semana, de conversas com representantes iranianos. Ela disse ainda que os iranianos responderam ao chamado de Trump e "pediram essa reunião presencial".