A polícia de Israel deteve um homem judeu por usar uma quipá com as bandeiras palestina e israelense bordadas, segundo relato publicado em redes sociais na quinta-feira (23). Ele afirma que foi liberado minutos depois, mas teve a peça devolvida com alterações.
Alex Sinclair, de 53 anos, relatou que trabalhava em um café em Modi’in, a cerca de 35 km de Tel Aviv, quando foi abordado por um homem religioso que alegou que sua quipá violava a lei.
Segundo ele, após negar a acusação e tentar conversar, o homem chamou a polícia. Cerca de cinco minutos depois, agentes chegaram ao local, afirmaram que o objeto era ilegal e realizaram a detenção.
Sinclair disse que teve o laptop e o celular confiscados e foi levado à delegacia. "Me revistaram. Depois me colocaram em uma cela, sozinho, sem água, sem telefone, sem saber o que estava acontecendo", afirmou.
Ele foi liberado cerca de 20 minutos depois e teve seus pertences devolvidos, exceto a quipá. Ao exigir a peça, afirma que foi ameaçado de voltar à cela. Posteriormente, a polícia entregou o objeto danificado.
"Tinham recortado a bandeira palestina. Pegaram algo que me pertencia, um objeto religioso, algo que valorizo muito, e destruíram", escreveu.
O homem informou que apresentou denúncia contra a polícia por detenção ilegal e danos à propriedade. Ele pede compensação pela peça e uma garantia formal de que poderá circular pela cidade sem sofrer assédio. "Mas não vou criar expectativas", disse.
"É difícil não dizer que isso é o tipo de coisa que fazem regimes fascistas. É difícil não me sentir consternado ao ver que a polícia pode simplesmente me tirar de uma cafeteria porque não gosta da minha ideologia política", afirmou.
Sinclair também explicou que usa a bandeira palestina por acreditar no direito à autodeterminação dos palestinos. "Isso não me faz menos judeu […] e não deveria significar que eu seja levado a uma cela policial", declarou.
Exibir bandeiras palestinas em público não é proibido em Israel, mas forças de segurança podem apreendê-las se considerarem ameaça à ordem pública ou apoio a grupos classificados como terroristas. A medida foi autorizada por Itamar Ben-Gvir, líder do partido Otzma Yehudit e ministro da Segurança Nacional de Israel.