
O que se sabe hoje sobre o potencial balístico do Irã?

Uma parte significativa da capacidade de mísseis das Forças Armadas do Irã ainda não foi utilizada, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa do país, Reza Talaei-Nik.

Em entrevista à televisão estatal, o alto funcionário militar disse que Estados Unidos e Israel fracassaram no objetivo de desmantelar o programa de mísseis e o poder militar da República Islâmica.
"O inimigo entrou na guerra com o objetivo de desmantelar o poder de mísseis e militar do Irã, mas falhou completamente. Até o momento anterior ao cessar-fogo, as Forças Armadas controlavam os céus dos territórios ocupados [Israel] e uma parte importante da capacidade de mísseis permanece sem uso", afirmou o militar, citado pela agência IRNA.
Talaei-Nik destacou que essa capacidade é resultado de mais de 25 anos de investimentos e desenvolvimento no setor de mísseis, envolvendo o Ministério da Defesa, as Forças Armadas, o setor privado e empresas de base tecnológica.
"Hoje, a superioridade de mísseis do Irã é reconhecida por observadores internacionais", disse o porta-voz.
Segundo reportagem do The Wall Street Journal, com base em fontes ligadas à inteligência dos EUA, o Irã ainda possui milhares de mísseis balísticos que podem ser utilizados a partir de lançadores armazenados em instalações subterrâneas. O país também teria capacidade de reconstruir parte dos sistemas de lançamento danificados por ataques americanos.

Em meio às avaliações sobre esse arsenal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Teerã pode, em breve, desenvolver mísseis capazes de alcançar o território norte-americano.
"Como vocês sabem, ainda não podem nos atingir, mas podem atingir a Europa e, cedo ou tarde, poderão chegar até aqui. Provavelmente em um futuro não muito distante, a menos que os detenhamos agora", declarou.
Durante o conflito, o Financial Times informou que o Irã utilizou mísseis que conseguiram escapar dos sistemas de defesa antiaérea Patriot, fabricados nos Estados Unidos.
Pressão sobre as defesas dos EUA
Ao mesmo tempo, veículos da imprensa norte-americana alertam que o alto consumo de munições durante o confronto com o Irã, incluindo interceptores usados contra mísseis e drones, reduziu de forma significativa os estoques militares dos Estados Unidos.
O The Wall Street Journal informou, com base em fontes do setor de defesa, que desde o início da ofensiva conjunta de Washington e Tel Aviv contra o Irã, em 28 de fevereiro, os EUA dispararam entre 1.500 e 2.000 interceptores, incluindo sistemas THAAD, Patriot e Standard Missile.
Um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington, aponta preocupação semelhante. Segundo o levantamento, as munições usadas no conflito representariam cerca de um terço dos mísseis SM-6, quase metade dos SM-3, mais de dois terços dos interceptores Patriot e mais de 80% dos interceptores THAAD disponíveis antes da guerra.
- Após mais de um mês de hostilidades, Estados Unidos e Irã chegaram a um cessar-fogo em 7 de abril, posteriormente prorrogado por Washington no dia 21.
- Apesar da trégua, a tensão entre as partes continua elevada, em meio ao fracasso das negociações de paz, troca de ameaças e disputas no transporte marítimo no Golfo Pérsico e no Mar Arábico.

