Exército do Mali afirma que grupos armados 'terroristas' atacaram posições militares

O Exército do Mali informou neste sábado (25) que grupos armados "terroristas" ainda não identificados atacaram posições militares na capital, Bamako, e em várias localidades do interior do país. Segundo as autoridades, os combates continuam em andamento. Jornalistas relataram ter ouvido disparos no aeroporto internacional do Mali.
"O Estado-Maior Geral das Forças Armadas informa à opinião pública nacional que grupos armados terroristas, ainda não identificados, atacaram nas primeiras horas da manhã deste sábado, 25 de abril de 2026, vários pontos e quartéis na capital e no interior do país", diz a nota oficial.
Huge operations of Tuaregs FLA and Al-Qaeda affiliated JNIM are ongoing in Mali since early morning today, with several positions in Kidal region overrun, Reuters reports of an attack on Mali military base near the capital Bamako. It seems Tuaregs are back inside Kidal. #Malipic.twitter.com/lANbQcfOKu
— Paweł Wójcik 🦋 (@SaladinAlDronni) April 25, 2026
"Os combates estão em curso. Pedimos à população que mantenha a calma e permaneça alerta. Nossas forças de defesa e segurança estão atualmente empenhadas em neutralizar os atacantes", acrescenta o comunicado, informando que mais detalhes serão divulgados posteriormente.
From the street fighting in Kidal between FLA rebels and the Malian Army/Africa Corps a few minutes ago. https://t.co/jezvQtCL3Tpic.twitter.com/Hznw09CnE4
— Brant (@BrantPhilip_) April 25, 2026
Um jornalista da Associated Press em Bamako relatou ter ouvido disparos contínuos de armas automáticas e armamento pesado vindos do Aeroporto Internacional Modibo Keïta, localizado a cerca de 15 quilômetros do centro da capital. Ele também afirmou ter visto um helicóptero sobrevoando bairros próximos.
Moradores de outras cidades do país também relataram disparos e explosões na manhã deste sábado, o que sugere um possível ataque coordenado por grupos armados.
Visual confirmation of the FLA capturing the National Youth Camp of Kidal, in Kidal city. https://t.co/kjjSDRIM8mpic.twitter.com/MtPwEMN1Jk
— Brant (@BrantPhilip_) April 25, 2026
Um residente da cidade de Gao contou que os tiros e explosões começaram ainda de madrugada e continuavam sendo ouvidos no fim da manhã. Ele acrescentou que os disparos vinham do acampamento militar e do aeroporto, que ficam um ao lado do outro.
Já um morador de Kati, cidade próxima a Bamako onde está localizada a principal base militar do Mali, disse que acordou cedo com o barulho intenso de tiros e explosões.
Não está claro quem está por trás dos ataques, que o Exército atribuiu a "terroristas" não identificados.
Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da Frente de Libertação do Azawad (FLA), uma aliança rebelde dominada por tuaregues, afirmou nas redes sociais que suas forças tomaram o controle de várias posições em Kidal e Gao. Essa declaração não pôde ser verificada de forma independente.
Quatro fontes de segurança disseram que a filial regional da Al Qaeda*, o grupo jihadista JNIM* (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, na sigla em inglês), também participou dos ataques de sábado.
- O conflito no Mali começou em 2012, quando grupos tuaregues e jihadistas se rebelaram contra o governo central com o objetivo de obter autonomia e criar um Estado independente no norte do país. A intervenção internacional, incluindo a operação francesa e a missão de paz da ONU, ajudou a recuperar parte do território, mas a violência e a instabilidade continuam.
- A AP lembra que os separatistas chegaram a expulsar forças de segurança da região antes de um acordo de paz em 2015, que depois entrou em colapso, abrir caminho para a integração de alguns ex-rebeldes ao Exército malinês.
- O país também é afetado por insurgências de grupos ligados à Al Qaeda* e ao Estado Islâmico*, além de uma rebelião separatista no norte liderada pelo movimento Azawad, que há anos luta pela criação de um Estado próprio.
- Analistas afirmam que a situação de segurança se deteriorou recentemente não só no Mali, mas também no Níger e em Burkina Faso, com um número recorde de ataques.
*Reconhecidos como grupos terroristas na Rússia e proibido em seu território.
