Empresas gastam milhões em rota alternativa para evitar o Estreito de Ormuz — AP

Uma companhia chegou a pagar US$ 4 milhões extras para conseguir atravessar o canal e chegar ao destino final.

O Canal do Panamá está começando a se consolidar como uma rota alternativa para diversas empresas após a escalada das tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que comprometeu o uso do Estreito de Ormuz. A informação foi publicada no sábado (24) pela agência Associated Press (AP), com base em fontes próximas ao assunto.

Segundo a reportagem, nas últimas semanas várias companhias têm desembolsado grandes quantias em planos de última hora para conseguir passagem pelo canal e evitar atrasos logísticos.

Com o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz em meio ao conflito com o Irã, navios comerciais vêm sendo desviados com mais frequência para o Canal do Panamá. Isso tem provocado mudanças relevantes nos fluxos do comércio global e aumentado a disputa por vagas de travessia.

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Empresas que não possuem reserva antecipada acabam pagando mais em leilões para conseguir passagem imediata. O valor médio para cruzar o canal varia entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, mas o custo adicional tem chegado a cerca de US$ 425 mil.

O administrador do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez, afirmou que uma empresa chegou a pagar US$ 4 milhões extras para que um navio, que transportava combustível com destino à Europa, mas precisou ser redirecionado às pressas para Singapura, pudesse atravessar a rota e ajudar a suprir uma escassez energética na região.

"Com todos os bombardeios, mísseis e drones… as empresas afirmam que é mais seguro e mais econômico passar pelo Canal do Panamá", destacou Rodrigo Noriega, analista na Cidade do Panamá, em entrevista à AP.