Como a guerra com o Irã alimenta um grande desejo de Xi Jinping

Pequim demonstra otimismo sobre o futuro internacional dessa trajetória.

O yuan chinês vem assumindo recentemente um novo papel: o de uma fonte de segurança para países e empresas preocupados com a forma como os Estados Unidos administram o sistema financeiro global, segundo uma análise da revista The Economist publicada nesta quinta-feira (23).

O veículo aponta um aumento recente no uso de infraestruturas de pagamentos chinesas, tanto tradicionais quanto digitais, e relaciona parte desse impulso à guerra com o Irã e às interrupções no estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o texto sustenta que autoridades chinesas demonstram um novo otimismo em relação ao futuro internacional do yuan, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar em transações globais. O presidente Xi Jinping, segundo a publicação, já afirmou que a China deve ter uma moeda "forte".

Embora, ressalta a revista, o yuan ainda esteja longe desse status, ele pode funcionar como alternativa em um cenário no qual o dólar é visto como administrado de forma instável.

Diante desse panorama, Josh Lipsky, do Atlantic Council, afirmou que os dados das últimas semanas mostram melhora. Segundo ele, o sistema central CIPS, mecanismo chinês de pagamentos interbancários transfronteiriços, movimentou em março cerca de 920 bilhões de yuans por dia (Cerca de R$ 700 bilhões), acima da média diária de 680 bilhões de yuans (cerca de R$ 476 bilhões) registrada no ano passado. No dia 2 de abril, o volume chegou a ultrapassar 1,2 trilhão de yuans (R$ 860 bilhões).