Ministro afirma que regulação de terras raras cabe à União e que acordo de Goiás 'não se sustenta'

O chefe da pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços lembrou que o tratado assinado com os EUA é inconstitucional.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, afirmou, em entrevista nesta sexta-feira (24), que o subsolo brasileiro pertence à União, e que memorando assinado pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com os EUA, "não se sustenta".

Elias lembrou que a Constituição Federal, em seu artigo 22, fala sobre a exploração do subsolo, deixando clara a competência exclusiva federal. Logo, argumentou, a negociação do ex-governador possuiria "vícios de inconstitucionalidade", o que, na prática, torna qualquer ato do tipo nulo.

"Esse subsolo pertence à União. E nós temos uma regra constitucional que defere ao poder central esse papel de interlocução com outros países. O interesse nacional não pode ser gerido localmente", declarou o ministro.

Ele ainda revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado empenho da pasta sobre o tema, mas ressaltou que o governo não pretende criar uma nova estatal para centralizar a exploração desses minerais críticos.

Regulamentação

O ministro defende que o Brasil precisa agir com agilidade na regulamentação das terras raras, mas pondera que geólogos e especialistas devem ser consultados no processo, uma vez que o assunto não é apenas econômico, mas também de ordem científica.

Elias também manifestou preocupação com a soberania nacional em relação ao episódio de Goiás: "Muita gente leu as notícias dos últimos dias e ficou imaginando que o Brasil está perdendo um ativo importante e uma quantidade grande de minerais críticos para um grupo econômico que não é brasileiro", afirmou.