Rússia denuncia 'neocolonialismo' da Europa: 'ainda quer viver às custas dos outros'

Chanceler russo criticou a diplomacia da União Europeia e dos Estados Unidos ao dizer se a história é cíclica, como teorizou Karl Marx.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou, nesta sexta-feira (24), em entrevista para a emissora pública russa OTR, que a Europa tenta consolidar um modelo de "neocolonialismo" em suas relações diplomáticas.

De acordo com o chanceler, o continente "que durante 500 anos liderou todo o mundo — na era do colonialismo e na era da escravidão — tenta agora consolidar o neocolonialismo no mundo".

Segundo Lavrov, o continente mantém a intenção de impor suas regras e viver às custas de outros países. "[A Europa] ainda quer viver às custas dos outros e ditar tudo a todos. Arrogância e desprezo por todos os outros", disse.

História em espiral

A resposta de Lavrov veio após questionamento sobre a situação geopolítica atual. Mais precisamente, se o mundo vive "uma espiral descendente", em referência à teoria do pensador alemão Karl Marx, de que a história seria cíclica. 

"A história se repete em espirais (...) Pode se encarar a ideia da história se repetindo de diferentes maneiras. Mas a situação atual é grave e está longe de ser uma farsa", afirmou, em referência às políticas agressivas da Europa e dos Estados Unidos.

Para Lavrov, o momento histórico é de espiral descendente, o que leva a comunidade internacional para um caminho árduo, "um mundo onde não havia nada. Sem direito internacional (...) onde 'a força faz o direito', a força é a verdade".

"Observem o que está acontecendo agora. Os Estados Unidos declararam oficialmente que ninguém lhes diz o que fazer. Eles se importam apenas com o próprio bem-estar (...) sequestros ou assassinatos dos líderes de países que possuem os recursos naturais que eles almejam. Venezuela, Irã (...) não escondem o fato de que se trata de petróleo", completou.

O ponto-chave, segundo Lavrov, é uma busca sem limites por supremacia energética

"Eles têm uma doutrina de domínio nos mercados globais de energia (...) Os Estados Unidos acolheram e continuam acolhendo a marginalização da Rússia nos mercados energéticos europeus", declarou, apontando para uma atuação contínua de Washington nesse processo.