O governo dos Estados Unidos avalia revisar seu apoio histórico à soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas, como parte de um pacote de medidas para pressionar aliados que não apoiaram sua ofensiva contra o Irã, segundo um e-mail interno do Pentágono, citado pela Reuters nesta sexta-feira (24).
A proposta integra uma série de opções que Trump analisa para 'punir' países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que, na avaliação de Washington, não acompanharam as operações militares dos EUA no Oriente Médio.
Entre elas está a possibilidade de reconsiderar o apoio a "possessões imperiais" europeias, como o arquipélago no Atlântico Sul, cuja soberania é reivindicada pela Argentina, governada por seu aliado Javier Milei.
Esse mal-estar está ligado à recusa inicial de alguns países, incluindo o Reino Unido, em permitir o uso de bases e sobrevoo para operações militares. A partir disso, a relação bilateral passou a ser marcada por atritos na OTAN.
A resposta britânica
Londres reagiu imediatamente à proposta, com um porta-voz do governo britânico afirmando à agência ANSA: "A soberania sobre as Ilhas Falkland (como os britânicos chamam as Malvinas) continua nas mãos do Reino Unido e a autodeterminação (de seus habitantes britânicos) é fundamental". Ele ainda ressaltou que a posição oficial "não poderia ser mais clara, firme e imutável".
Na mesma linha, a chanceler britânica Yvette Cooper declarou, em sua conta no X: "As Ilhas Falkland são britânicas: a soberania reside no Reino Unido, e a autodeterminação reside nos habitantes das ilhas", acrescentando que o compromisso de seu país com o território "é inabalável".
A posição argentina
Na Argentina, por sua vez, o presidente Milei reafirmou a reivindicação de soberania e afirmou que seu governo faz "tudo o humanamente possível para que [as Malvinas] voltem às mãos da Argentina".
"A soberania não se negocia, mas é preciso fazê-lo de maneira criteriosa, é preciso fazê-lo com inteligência", declarou, em entrevista concedida antes de a informação vir a público.
O mandatário também afirmou que a Argentina leva a reivindicação a todos os fóruns internacionais e que seu governo está obtendo "apoios como nunca antes", em referência à estratégia diplomática sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul.
Conflito histórico
As Ilhas Malvinas — localizadas a cerca de 500 quilômetros da costa argentina — são um território administrado pelo Reino Unido desde 1833 e reivindicado pela Argentina, que sustenta que foram ocupadas de forma ilegal após sua independência.
A disputa levou à guerra de 1982, quando a ditadura argentina enviou tropas ao arquipélago na tentativa de recuperá-lo. O governo britânico, liderado por Margaret Thatcher, respondeu com uma operação militar que terminou com a rendição argentina após 74 dias de combate.
Desde então, os EUA têm evitado adotar uma posição formal sobre a soberania, embora historicamente tenham apoiado Londres. A possibilidade de revisar esse apoio, ainda que como hipótese, introduz um novo foco de tensão na relação entre Washington e seus aliados europeus.