O assessor da Presidência do Irã, Ismail Saqab Esfahani, advertiu nesta sexta-feira (24) que o país possui um "banco de alvos" definido, que incluiria instalações ligadas às exportações de petróleo e ao fornecimento regional de energia elétrica.
"Se nenhum barril do nosso petróleo for exportado, nenhum barril de petróleo será exportado na região. E se uma única pessoa do nosso povo, por ignorância do inimigo, ficar sem acesso à eletricidade, dez pessoas na região ficarão sem eletricidade", declarou durante um ato público.
Segundo Esfahani, os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos. "O inimigo ficou desesperado, porque no primeiro dia seu plano era mudar o mapa do país, mas não conseguiu", afirmou, acrescentando que atualmente há "pessoas fortes e corajosas" administrando o Irã.
"Ficou preso"
Na mesma linha, Esfahani mencionou o Estreito de Ormuz, destacando que "o adversário não conseguiu abri-lo" e agora "fala em fechá-lo". Ele acrescentou que, por esse motivo, Washington teria recorrido às negociações e sugerido aceitar as condições do Irã e administrar o estreito "em conjunto", algo rejeitado por Teerã.
"Por que os Estados Unidos devem intervir na administração do Estreito de Ormuz?", questionou.
O inimigo "veio para encerrar a guerra em três ou quatro dias, mas ficou preso. O que não conseguiu alcançar no campo de batalha, agora busca na negociação", continuou o assessor, ressaltando que a resposta do Irã é clara: "O que não aceitou no campo de batalha, também não aceita na mesa de negociação".
Cessar-fogo com o Irã
- Na terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã estabelecido em 7 de abril. Ele explicou que a decisão se deve ao fato de que o governo iraniano estaria, supostamente, "gravemente dividido", e de que mediadores do Paquistão solicitaram a Washington que suspendesse seus ataques contra o país "até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada".
- Na quinta-feira (23), Trump voltou a se pronunciar, alegando falta de unidade entre os dirigentes iranianos. "O Irã tem muita dificuldade em entender quem é seu líder! Simplesmente não sabem!", escreveu na Truth Social.
- Meios de comunicação dos EUA também informaram que "há uma fratura absoluta dentro do Irã entre negociadores e militares, sem que nenhum dos dois tenha acesso ao líder supremo (Mojtaba Khamenei), que não responde".
- O Irã, por sua vez, não confirmou essas declarações. A agência Tasnim informou que, segundo fontes, Teerã "não teria solicitado uma prorrogação do cessar-fogo", indicando que o anúncio de Trump poderia significar que "ele fracassou na guerra".