China reafirma cooperação espacial com o Brasil e todo o Sul Global

Porta-voz da chancelaria disse que Pequim "continuará a trabalhar com diversos países em prol da cooperação espacial aberta e da promoção do esforço comum da humanidade".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, exaltou a cooperação com o Brasil no setor aeroespacial em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (24).

Perguntado sobre as celebrações do 11º Dia do Espaço Chinês, o representante reforçou a dedicação do país à exploração espacial e ressaltou as colaborações que têm feito com outras nações, citando o Satélite de Recursos da Terra China-Brasil, que monitora queimadas nas florestas tropicais da América do Sul.

O Brasil é o convidado de honra do Dia do Espaço Chinês. O convite representa a colaboração de décadas entre os países no programa Parceria entre Brasil e China no Setor Técnico e Científico Espacial (CBERS).

China e o Sul Global no espaço

Na coletiva, Jiakun também mencionou cooperações com países africanos e o transporte de astronautas paquistaneses para a estação espacial chinesa como exemplos. "A China assinou acordos de cooperação espacial com muitos países africanos, e há 10 pinturas de jovens africanos na estação espacial Tiangong", declarou.

"O espaço não é uma arena para disputas entre grandes nações. A China continuará a trabalhar com diversos países em prol da cooperação espacial aberta e de promover o esforço comum da humanidade na exploração do espaço exterior", concluiu.

"Maior acordo Sul-Sul"

Após a assinatura de um acordo na década de 1980, Brasília e Pequim construíram uma série de satélites, no âmbito da CBERS, para observação terrestre.

"Durante muitos anos, e talvez até hoje, esse acordo foi o maior acordo de cooperação em ciência e tecnologia Sul-Sul, entre dois países em desenvolvimento'', afirmou o ex-chanceler Celso Amorim, que participou das articulações pela parceria ainda em 1984, em um depoimento em vídeo.

"Anos mais tarde, [o acordo] também beneficiou outros países em desenvolvimento. As imagens concedidas por esse satélite são fundamentais para a administração do território, desmatamento, meio ambiente. E têm sido cedidas para outros países, sobretudo na África, mas não apenas", acrescenta.