
Aliado dos EUA, governo da Bolívia enfrenta escassez de combustíveis

A Bolívia enfrenta escassez de combustíveis em decorrência da alta global nos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões internacionais envolvendo conflitos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. As informações são de reportagem da Bloomberg, desta sexta-feira (24).
O cenário pressiona diretamente o governo do presidente Rodrigo Paz, aliado dos Estados Unidos.
O Executivo tem encontrado dificuldades para importar combustível, manter o subsídio e recompor estoques diante da escalada dos preços internacionais e da escassez de dólares no mercado interno.
Com a queda nas exportações de gás natural, que historicamente sustentavam parte da economia boliviana, o país perdeu receita e passou a ter limitações financeiras para custear novas importações.
Paz, alinhado a uma agenda econômica pró-mercado, enfrenta uma crise em um cenário externo adverso, marcado pela pressão sobre países dependentes de importações.

Protestos e crise institucional
A escassez provoca protestos e bloqueios de caminhoneiros em La Paz, que chegam a aguardar por dias para conseguir abastecer. Motoristas relatam dificuldades para trabalhar, enquanto a falta de diesel compromete o transporte e aumenta a pressão sobre o Palácio Quemado.
A crise também atinge o setor energético, resultando em mudanças na direção da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), além de dificuldades operacionais.
A presidente da empresa, Claudia Cronenbold, renunciou ao cargo ao afirmar que a situação é "significativamente pior do que o esperado"; o governo também substituiu o ministro responsável pela área em meio à instabilidade.
Para conter a crise, o governo busca alternativas como a atração de capital estrangeiro e mudanças no setor de hidrocarbonetos para ampliar a participação privada. Além disso, tenta reforçar a cooperação com o Chile para otimizar a logística de abastecimento, tentando reduzir a dependência crítica das importações de combustível.
