Por decisão do Itamaraty, um agente do governo dos Estados Unidos deixou o Brasil na quarta-feira (22), em meio às tensões diplomáticas envolvendo a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico na quinta-feira (23).
Michael Myers, ligado à área de investigações de segurança interna dos EUA, retornou ao país de origem após atuar como adido na embaixada americana em Brasília desde setembro de 2024.
A medida é uma resposta do Brasil, que aplicou o princípio da reciprocidade após os Estados Unidos afastarem o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho por Washington.
O outro agente americano, que não teve a identidade divulgada, permanece em território nacional, mas teve a credencial de acesso à Polícia Federal suspensa. A decisão partiu do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
A situação desse segundo agente ainda está em análise. O destino dele seria definido em reunião entre o comando da Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores, na quinta-feira (23). A expulsão não está confirmada até o momento.
Entenda o caso
O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, que atuava em Miami, foi acusado na segunda-feira (20) pelo governo de Donald Trump de ter manipulado o sistema migratório norte-americano para conduzir "perseguições políticas". Apesar de, no anúncio nas redes sociais, Washington ter dito que ele foi convidado a deixar os EUA, o diretor da PF explicou que ele não foi expulso do país.
O caso é relativo à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido durante dois dias no estado da Flórida em uma operação que, segundo Rodrigues, foi "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado".
À época, o diretor da PF explicou que o político é "cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular".
Ramagem permaneceu dois dias em um centro de detenção em Orlando, sendo liberado na quarta-feira (15). Após deixar o centro de detenção, afirmou que sua situação é "absolutamente" regular e que ele não está se escondendo nos EUA. Ramagem alega que entrou no país com visto válido e solicitou asilo dentro dos procedimentos legais, o que garantiria sua situação regular.
O ex-deputado, que já ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixou o Brasil e deu entrada no pedido de asilo nos EUA após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu papel na tentativa de golpe de Estado contra Luiz Inácio Lula da Silva.