Cientistas identificaram fósseis de enormes polvos com estruturas do tipo "kraken" que teriam atingido até 19 metros de comprimento, o que os tornaria os maiores invertebrados já documentados até hoje. A informação foi divulgada na quinta-feira (23), em artigo publicado na revista Science.
A descoberta se baseia em mandíbulas fósseis excepcionalmente bem preservadas, cujos padrões de desgaste sugerem que esses animais usavam seus bicos poderosos para triturar presas com carapaça dura. Os pesquisadores também indicam que eles apresentavam comportamentos complexos e, possivelmente, grande inteligência.
"Essas descobertas revisam a visão do oceano no Cretáceo — há 145 a 66 milhões de anos — como um mundo dominado exclusivamente por grandes predadores vertebrados", afirmou à Live Science o paleontólogo Yasuhiro Iba, da Universidade de Hokkaido (Japão). "Eles mostram que invertebrados gigantes — os polvos — também ocupavam o topo da cadeia alimentar."
"Predadores inteligentes"
A análise de 27 mandíbulas fósseis permitiu comparar sua forma, tamanho e desgaste com espécies modernas de polvos, o que sugere um comportamento alimentar ativo e especializado em quebrar estruturas duras por meio do uso completo de seus bicos.
Os autores observaram, além disso, padrões de desgaste assimétricos, interpretados como evidência de comportamento lateralizado, uma característica associada a maior complexidade neurológica em animais atuais.
"Estes não eram apenas polvos gigantes, mas predadores inteligentes e altamente formidáveis", observou Iba no estudo.
Interpretar as estimativas com cautela
No entanto, outros especialistas apontaram que há incertezas nas reconstruções. René Hoffman, paleontólogo especializado em cefalópodes fósseis da Universidade Ruhr de Bochum (Alemanha), alertou que esses animais nem sempre atingiam os tamanhos máximos propostos.
Na mesma linha, Christian Klug, da Universidade de Zurique (Suíça), sustentou que, embora o predador tenha sido "grande e eficiente", as estimativas extremas de comprimento devem ser interpretadas com cautela, pois podem não refletir o tamanho típico da espécie.
O trabalho levanta novas questões sobre a evolução dos ecossistemas marinhos, entre elas como esses invertebrados puderam atingir tais dimensões e se existiram predadores ainda maiores em períodos posteriores ao Cretáceo.