
Pesquisa revela como reduzir efeitos da vida sedentária

Passar longas horas sentado é um mal silencioso que afeta a saúde mesmo de quem se exercita regularmente. Um estudo do pesquisador Scott Lear, da Universidade Simon Fraser, no Canadá, propõe, em um artigo publicado na terça-feira (21), uma estratégia simples para reduzir o risco: intercalar o período sentado com pausas ativas de dois minutos a cada 25 a 30 minutos.

Apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de alta intensidade, somados a exercícios de fortalecimento muscular, apenas 73% dos adultos cumprem essas metas.
Estima-se que um adulto médio passe cerca de 10 horas por dia sentado, e a OMS classifica a inatividade como o quarto maior fator de risco de mortalidade global.
Um aumento de apenas 10% no nível de atividade física, no entanto, poderia evitar 500 milhões de mortes prematuras.
Estratégias contra sedentarismo
Scott Lear, no entanto, não defende que não se pode ficar na cadeira. "Ficar em pé por longos períodos também pode prejudicar o metabolismo e causar varizes e riscos cardiovasculares", explica.
O segredo não está em eliminar o assento, mas em fracionar o tempo sentado. Em uma pesquisa de sua equipe, substituir 30 minutos de inatividade por movimento reduziu em 2% o risco de morte prematura em pessoas sedentárias.
A lógica é clara: a falta de movimento retarda o metabolismo, reduz a produção da enzima lipoproteína lipase (LPL), que processa gorduras, e eleva os níveis de triglicerídeos no sangue. Com o tempo, o sedentarismo prolongado altera o metabolismo da glicose e da insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2, enfraquecimento muscular, problemas circulatórios e, a longo prazo, doenças cardíacas, câncer, demência e morte prematura.
Um dos achados mais impactantes do estudo é que a prática regular de exercícios, se combinada a longos períodos sentados, pode ser insuficiente para compensar os danos.
O estudo concluiu que quem cumpre as recomendações da OMS, mas fica sentado por mais de seis horas diárias, equipara seu risco de mortalidade ao de pessoas completamente sedentárias que, no entanto, passam menos tempo na cadeira.

