O consumo elevado de armamentos pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã levanta dúvidas internas sobre a capacidade de resposta em um eventual conflito no Estreito de Taiwan, informou o Wall Street Journal na quinta-feira (23).
Autoridades americanas indicam que mais de mil mísseis Tomahawk foram utilizados desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, além de 1.500 a 2.000 interceptadores de defesa aérea, como sistemas Patriot e Thaad. A recomposição total desses estoques pode levar até seis anos.
O cenário impulsionou discussões dentro do governo sobre ajustes em planos militares, caso haja necessidade de atuação na Ásia. Avaliações internas apontam que, no curto prazo, a reposição incompleta pode ampliar riscos operacionais para tropas em um conflito de grande escala.
Apesar disso, integrantes da administração afirmam que não há sinais imediatos de confronto com a China. A inteligência dos EUA considera improvável uma ação militar chinesa contra Taiwan até 2027.
Avaliações divergentes
Parte do alto escalão militar rejeita a ideia de perda de capacidade. O almirante Samuel Paparo declarou ao Senado: "Por enquanto, não vejo nenhum custo real sendo imposto à nossa capacidade de dissuadir a China". A Casa Branca também contestou as preocupações, afirmando que os EUA mantêm arsenal suficiente para qualquer operação.
Em paralelo, análises independentes indicam impacto relevante nos estoques. Estudo do Center for Strategic and International Studies estima que os gastos no conflito consumiram cerca de 27% dos Tomahawk, mais de dois terços dos interceptadores Patriot e mais de 80% dos sistemas Thaad disponíveis antes da guerra.
Produção e reposição
O Pentágono busca ampliar a produção com contratos junto a empresas como Lockheed Martin e RTX, além de negociações com fabricantes industriais para acelerar entregas. A meta inclui investimentos de até US$ 350 bilhões em munições estratégicas no orçamento de 2027.
Ainda assim, especialistas apontam que aumentar a produção leva tempo. A indústria de defesa pode precisar de um a dois anos apenas para expandir a capacidade, mantendo o desafio de recompor estoques em meio a múltiplas frentes de atuação global.